segunda-feira, 15 de março de 2010

Microoásis

A arquiteta Loyde Abreu descobriu, em sua pesquisa de mestrado na Unicamp, que o bem estar que se sente próximo a uma árvore não é causado só por sua sombra, mas principalmente pelo aumento da umidade relativa do ar.
Tome-se como exemplo o Jambolão, árvore que pode alcançar de 15 a 20 metros de altura e chega a perder 101 litros de água por dia por suas folhas (uma lavadora de roupas com capacidade para cinco quilos gasta 135 litros). A 10 metros dessa árvore a umidade média é de 68%, segundo Loyde. A 50 metros de distância esse índice cai para 57%, número ainda bastante alto em relação ao recomendado pela OMS para o bem estar do ser humano, que é de no mínimo 30%. São as gotículas presentes no entorno da planta que proporcionam a sensação de conforto, mesmo que a pessoa esteja sob o sol. É a mesma lógica de um borrifo de água: a temperatura não muda, mas a sensação é de frescor.
Além de aumentar a umidade no entorno, a vegetação também ajuda na absorção de parte da radiação que vem do sol: ainda no caso do Jambolão a absorção promovida pela copa da árvore pode chegar a 89%.
Estudos em diversas partes do país comprovam o que não é difícil deduzir nem imaginar: uma árvore em frente a uma residência, aliando aumento da umidade do ar à absorção da radiação solar, reduz significativamente a sensação térmica em seu interior e leva a uma queda de até 65% no consumo de energia elétrica gasta com ar-condicionado e ventiladores.
E se apenas uma árvore é capaz de proporcionar conforto térmico, o que dizer de um parque inteiro? Os mapas do Atlas Ambiental de São Paulo mostram que as regiões mais frias da cidade são, não coincidentemente, as mais arborizadas, e as diferenças de temperatura podem chegar a até 6 graus em comparação, por exemplo, com a região central.
Nem que seja só por interesse próprio, pensando no seu bem estar e na conta de energia no final do mês, vale ou não vale a pena plantar uma, ou melhor ainda, muitas árvores na sua calçada?

Um comentário:

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