O bá obá! Germinou!
Claro que foi da Neide, do Come-se, que ganhei sementes de Baobá (Adansonia digitata) vindas diretamente do Senegal. Me foram dadas com a ressalva de que talvez não germinassem, afinal chegaram de viagem há quase um ano e passaram uma boa temporada na geladeira, mas por que não tentar?
O Baobá é uma árvore diferentona, de características curiosas; chama a atenção pelo tronco bem gordo e por passar boa parte do ano sem folhas. Outro dia ouvi alguém dizer "parece que ela está enfiada na terra de cabeça pra baixo, com as raízes pra cima". E parece mesmo.
O gênero Adansonia tem somente oito espécies; seis delas originárias da ilha de Madagasgar, uma da África e outra da Austrália. Todas têm características bem semelhantes mas detalhes marcantes que as diferenciam. A Adansonia grandidieri, por exemplo, costuma ter o tronco afunilado, arredondado e bem alto, com uma copinha pequena lá em cima:
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| Adansonia grandidieri Foto: Thomas Pakenham |
Já a Adansonia za tem o tronco mais baixo, bem gordo e a copa mais volumosa:
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| Adansonia za Foto: Thomas Pakenham |
Este exemplar, especificamente, bifurcou bem perto do chão e as duas partes se entrelaçaram, por isso é chamado de "Les Baobabs Amoureux" (Os Baobás Amantes). Está próximo a Morondava, na ilha de Madagascar, e foi fotografado por Thomas Pakenham para o livro Remarkable Trees of the World.
E o Adansonia digitata, das sementes da Neide, são os da foto abaixo, fotografados por ela na Ilha de Goré, perto de Dakar.
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| Ilha de Goré Foto: Neide Rigo |
No Brasil é possível encontrar alguns dessa espécie no Rio de Janeiro, em Maceió e em Recife. Desse de Recife, da Praça da República, diz-se que serviu como inspiração para Antoine de Saint Exupéry escrever a história O Pequeno Príncipe.
Em princípio os da espécie digitata parecem bastante com os da espécie za e também com as paineiras nativas do Brasil. Não por acaso: todos fazem parte da família Bombacaceae, portanto são parentes. Além das semelhanças de tronco e copa, ambos produzem frutos em forma de granada, de casca grossa como um cupuaçu e recheados de bolinhas por dentro.
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| Sementes de baobá com mucilagem. Quando se abre o fruto é isso que está lá dentro, só que um pouco mais organizado |
Foi me baseando nessas semelhanças que decidi semear o baobá como fazemos com as paineiras, então coloquei as sementes de molho em água por algumas horas e em seguida, sem tirar quase nada da mucilagem, enterrei cada uma em um vasinho com terra bem solta. O quanto se enterra é o mesmo que o tamanho da semente. Essas, como são bolinhas de quase 1 cm, foram enterradas quase 1 cm abaixo da superfície. Veja mais sobre isso aqui.
As primeiras germinações aconteceram em 15 dias, e isso animou a Neide a me dar mais um tanto de sementes guardadas na geladeira. Depois ainda ganhei um terceiro tantinho, e se não me engano veio até um quarto.
O interessante é que essa história começou há quase quatro meses e até hoje tem baobá preguiçoso germinando. Na casa da Neide também. No começo ela achou que tinha errado a mão na semeadura, já que os meus estavam nascendo e os dela não, mas semanas depois veio a notícia de que as sementes que ela enterrou muito antes das minhas tinham começado a nascer também.
Hoje tenho mudas de diversas idades. As mais novinhas acabaram de sair da semente,
outras já têm 15 cm de altura,
e as mais velhas já começaram a produzir as folhas compostas, digitadas, como grandes mãos com cinco dedos.
Falta agora arrumar um lugar para plantar alguém que vai crescer como um monstro e pode chegar a 20 metros de altura e 5 metros de diâmetro. Nove pessoas para abraçar o tronco. Incrível.





















































