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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Duas amigas queridas, a sálvia e seus usos


A primeira lembrança que tenho de ter comido sálvia (Salvia officinalis) foi num frango com requeijão que a Helô fez no forno. Éramos amigas começando um apartamentinho charmoso, e esse foi um dos pratos que estreou nosso fogão novo. Eu não cozinhava quase nada e ela sabia muito mais coisas do que eu, tanto na cozinha quanto sobre ervas. Nosso jardinzinho interno, debaixo da janela da sala, começou com sálvia, arruda e uma avenca que os gatos insistiam em comer, pra depois vomitar em cima do sofá.

Muito tempo passou e muitas sálvias eu tive, mas apenas pelo prazer de cultivá-las - praticamente nunca mais a usei, nem em preparos culinários, muito menos medicinais. Há anos não como carne (como se a sálvia combinasse só com frango, imagine!) e descobri que já sofri muito daquela síndrome burra que nos faz desprezar as soluções tradicionais caseiras porque o moderno/comprado/industrializado é mais fácil, portanto parece melhor. A gente compra bolo pronto empacotado, pó colorido pra fazer suco e sopa, arroz ensacado em porções pra cozinhar com plástico e tudo… Ah, os tempos modernos...

Pois ontem a Carol, outra querida com quem também já tive o prazer de dividir a casa, falou no programa da rádio que sálvia é tiro e queda pra resfriados, tosse, asma, bronquite e outros "ites". E eu, resfriada há duas semanas como ela e meio estado de São Paulo, chupando pastilha de farmácia com gosto de tinta enquanto vejo crescerem intactas as sálvias do jardim.

Também me senti burra por ter em casa uma estante cheinha de livros sobre ervas e nunca ter pesquisado sobre essa espécie, considerada erva sagrada desde que o mundo é mundo. Sim, a sálvia tem mil propriedades curativas além de dar mais sabor à comida. No nome científico, o Salvia vem do latim salvere, que significa salvo, são, sadio, e o officinalis indica que a planta é reconhecida por suas propriedades medicinais. Olha só:

      Uso interno:
  • Para indigestão (dispepsia) e formação de gases: uma xícara de chá após as refeições
  • Para cólicas menstruais e seios doloridos durante a TPM: uma xícara de chá a cada três horas
  • Para sudorese e salivação excessivas: uma xícara de chá pela manhã e outra à noite
  • Para diminuir a produção de leite materno no processo de desmame de bebês: uma xícara de chá duas ou três vezes ao dia

     Uso externo:
  • Para garganta inflamada: gargarejos com chá de sálvia morno. Para aumentar ainda mais a ação, acrescente uma colher de chá de vinagre por xícara. Tenho feito e estou gostando do resultado.
  • Para gengivite, afta e mau hálito de origem bucal: bochecos com chá de sálvia, que tem excelente ação antiséptica
  • Para limpar os dentes numa versão natureba da escova de dentes (só vale quando não há outra opção!): esfregue folhas de sálvia em todos os dentes, caprichando nas junções com as gengivas. A textura das folhas se encarrega da limpeza, e a ação antiséptica ajuda na eliminação das bactérias
  • Para aliviar a coceira nas picadas de insetos e a dor de feridas na pele: compressas com pano umedecido em chá de sálvia sobre o local atingido
  • Para escurecer os cabelos castanhos: enxague com chá de sálvia após a lavagem com xampu

IMPORTANTE: Apesar de tantas propriedades de cura, o uso da sálvia é contraindicado em gestantes, lactantes (se não há a intenção de diminuir a produção de leite) e epiléticos. Também pode haver efeito tóxico em uso prolongado, afinal, qualquer coisa em excesso pode fazer mal, por isso faça intervalos de algumas semanas a cada mês de uso da sálvia.

Os chás devem ser preparados sempre por infusão: aqueça uma xícara de água até a formação de bolhinhas no recipiente. Apague o fogo e acrescente uma colher de sopa de sálvia desidratada ou duas da erva fresca. Tampe para abafar e espere 10 minutos antes do uso interno ou externo.

Cultivar a sálvia não é nenhum mistério, basta oferecer a ela as condições de vida da costa do mar Mediterrâneo, sua terra natal. Algumas horas de sol pleno e terra levemente arenosa fazem a sálvia feliz. Pode até ser em vasos pequenos, de 20 cm de altura. Assim como o alecrim e o tomilho, nativos da mesma região, sálvias não gostam de sombra nem de encharcamento do solo, por isso são bastante indicadas para jardins ao ar livre com manutenção pouco frequente, como praças e outros espaços públicos, ou para a casa de quem não tem muito tempo para mimá-las.

Nos mercados e lojas de jardinagem é possível encontrar lindas variedades dessa erva, além da básica e verdinha Salvia officinalis, a sálvia comum. Algumas tem caule arroxeado, como a Salvia officinalis "Purpurascens" das fotos, outras têm as folhas manchadas de amarelo, como a Sálvia dourada (Salvia officinalis "Icterina"). Tem ainda a variedade Tricolor, que junta numa planta só as colorações das duas anteriores. Essa é linda!

Sem mistérios: é planta fácil de cuidar, útil e super decorativa. Uma ótima opção pra ir além da salsa, da cebolinha e do manjericão de sempre.


Para ouvir a Carol na Band News FM, clique aqui ou vá até o portal Minhas Plantas e procure pelo podcast na sessão Rádio.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Como evitar o ressecamento de vasos pendentes. Ou: usando a sacolinha plástica para o bem


Nos objetos do jardim, sempre preferi materiais rústicos e naturais aos plásticos e artificiais. Sei lá, acho que eles têm mais a ver com plantas, natureza, com o "visual botânico", digamos assim. Apesar de já ter comprovado alguns benefícios dos vasos plásticos em relação aos de barro e os de fibras orgânicas, não consigo conviver com aquele visual preto brilhante e nem com os marrons que imitam barro.

Gosto mesmo quando aquele avermelhado da terracota vai ganhando manchas de umidade, e quando o xaxim e a fibra de coco ficam esverdeados de musgo. Tenho sempre a impressão de que ali se forma um micro-bioma, um ambiente cheio de vida espontânea que abriga seres microscópios que eu não vejo mas que estão interagindo com a minha planta. E estão mesmo.

Só que qualquer pessoa com um mínimo de prática com plantas já percebeu que tanto os vasos de barro quanto os de fibras naturais secam muito mais rápido que os de plástico. Se o tempo está quente, seco demais ou ventando, não há rega que dure. Você molha num dia e logo sua planta já te pede mais água. 

Isso acontece porque esses materiais são porosos e permitem que a umidade da terra vá embora facilmente. Às vezes, se estão secos demais, eles funcionam até como esponja, absorvendo a água que deveria ficar na terra, disponível para as raízes. Se você adora regar plantas, tem poucos vasos porosos ou muito tempo disponível, tudo bem. Mas se tempo ou disciplina são artigos raros na sua vida, é batata: suas consciência está sempre pesada porque suas plantas estão secas e não tão bonitas quanto poderiam estar. Assim era eu.

Mas um dia deu os "cinco minutos" e eu combinei comigo mesma que reformaria todos os vasos, trocando a terra antiga por uma novinha e adubada com húmus ou esterco e aproveitaria o embalo pra pintar todos por dentro com impermeabilizante. Falei sobre isso aqui.

Ainda estou nesse movimento, reformando aos poucos os muitos vasos de barro. Só na hortinha de temperos são quinze. No entorno da casa tem outros quinze, mais ou menos. Falta um tanto pra reformar mas tudo bem, é atividade relax, sem data marcada pra terminar.

Só que além dos de barro tenho mais quatro ou cinco de fibra de coco, pendurados, com plantas pendentes, e finalmente de um modelo que eu gosto. Meus preferidos de pendurar eram os de xaxim, feitos a partir do tronco de uma planta nativa do Brasil que se chama Dicksonia sellowiana - nome popular: samambaiaçú. Acontece que depois de muitos anos de extração descontrolada dessa planta, a comercialização dos vasos de xaxim foi proibida para evitar a extinção da espécie, já que para produzir os vasos mata-se o samambaiaçú e nunca houve a preocupação de plantios para reposição. Mas isso é história pra um outro post.

Diante da proibição do xaxim, começaram a aparecer no mercado outras opções de vasos de fibra natural, e certamente os que mais se estabeleceram foram os modelos feitos de fibra de coco. Existem diversas tecnologias de produção e diversos modelos de vasos, mas em todos os casos existe o mesmo problema de ressecamento da terra, assim como acontece nos vasos de barro. Só que os de fibra não dá pra pintar por dentro. 

A solução que encontrei foi forrá-los com uma sacolinha plástico, que faz as vezes da tinta impermeabilizante. Qualquer sacolinha serve, desde que não seja de plástico biodegradável, senão em alguns meses ela se decompõe. É importante encontrar uma sacolinha do mesmo tamanho ou um pouco maior que a parte interna do vaso, pra que a forração fique bem ajustada, e fazer um ou dois furos no fundo, pra que o excesso de água possa pingar para fora.


Neste caso minha primeira opção de sacolinha (na foto acima) ficou um pouco pequena, então acabei trocando por outra maior.


Primeiro abri a sacolinha dentro do vaso e depois cortei a parte das alças um pouco abaixo das bordas da fibra, pra que o plástico não fique aparecendo depois de tudo pronto.


Colocar um pouco de terra no fundo ajuda a fazer a sacolinha parar quieta no lugar. Assim fica mais fácil fazer o corte das beiradas.

Depois é só continuar com o jeito normal de montar vasos: um tanto de terra no fundo, o torrão com a planta e mais terra em volta e em cima para preencher todo o espaço. E assim você tem um vaso de fibra de coco que mantém a umidade da terra como um vaso de plástico. Bingo!

Obs: No caso de vasos pendentes eu não costumo fazer a camada de drenagem abaixo da terra (veja aqui), já que pelo furo do fundo a água pinga livre, sem obstáculos.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O Banco do Brasil e o saquinho de jornal para lixo


Neste final de semana, folheando a revista Veja de 20 de junho do ano passado, por acaso encontrei anúncio do Banco do Brasil ensinando a fazer o saquinho de jornal, lançado por esta que vos escreve em 6 de dezembro de 2009.

 
Mais uma vez fiquei orgulhosa pela grande aceitação da ideia, mas triste pela ausência de crédito da fonte, uma vez que até as legendas das ilustrações são praticamente iguais às minhas. Clique aqui para ver a postagem original e compare.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Terrarium sem terra = Aerium. Faça um de presente para o dia das mães


Nesse ano as duas mães novatas da família, Mari e Flavinha, vão ganhar presente de dia das mães pela primeira vez. Ambas vieram me dizer que os filhotes estão preparando surpresa na escola, que elas estão ansiosíssimas e que com certeza vão chorar.

Fiquei me lembrando dos presentes que fiz para a minha mãe, quando criança, e da ansiedade de filha que sentia. Será que ela vai gostar, será que vai usar, será que escolhi a cor certa? E claro que até hoje me lembro também de muitas caras de surpresa e orgulho que a mamma fez, mesmo quando o presente era meio torto ou mal acabadinho.

Só que o tempo passa, a gente cresce e começa um tal de comprar presente para o dia das mães. Uma blusa, uma bolsa, um celular novo ou qualquer outra coisa que às vezes ela nem precisa, mas é dia da mãe e a gente que se vire para comprar algo de que ela vá gostar. Não está escrito em lugar nenhum que tem que comprar - as mães sempre se emocionaram com os presentes feitos pelos filhos - mas todo mundo entra nessa onda consumista e esquece que um dia foi diferente: nossos primeiros presentes foram criados por nós mesmos. Eram desenhos, colagens, peças de argila, cerâmicas pintadas... tudo carregado de carinho, dedicação e personalidade.

Então dessa vez, inspirada pelo passado e pela minha própria mãe, que fazia terrariums quando eu era criança (veja neste post), juntei material em casa e montei aeriums, para inovar.

Pense num terrarium sem terra, composto por plantas que vivem de ar e água. Esses são os aeriums. Tilandsias (fala-se tilânsias) são as habitantes desse ambiente que pode parecer inóspito mas é mais do que suficiente para que esse gênero de plantas viva satisfeito e verdejante. Existem mais de 400 espécies de tilandsias, todas com a capacidade de retirar umidade e nutrientes do ar, por isso não precisam de solo para viver. São plantas epífitas mas não parasitas (vivem sobre outras plantas porém não as prejudicam), e se alimentam e se hidratam pelas folhas, portanto suas raízes existem apenas com a função de suporte. Na natureza é comum encontrá-las aderidas a troncos e, nos ambientes urbanos, as tilandsias também se prendem em postes, fios elétricos e antenas. Por que, então, não gostariam de viver em um belo vidro com pedras, pauzinhos e cascas de árvores?

Hoje fiz três aeriums, todos com material reaproveitado, como eram os presentes na época da escola. O vidro maior estava vazio, encostado há um tempão na dispensa. O médio tinha um pouco de areia no fundo e uma vela queimada pela metade. O pequeno guardava um restinho de cúrcuma, que foi para outro vidro menos bonito.


No quintal recolhi cascas de árvores, um pouco de areia, esfagno e substrato para orquídeas de um vaso que desmontei e pedrinhas de diversos tamanhos.Também me lembrei de pegar no armário duas pedras bonitas que um dia roubei de um canteiro, na rua.


Depois saí para coletar as plantas, e essa foi uma das partes mais gostosas. Moro em sítio, então meu passeio foi em casa mesmo, mas você pode ir a um parque munido de alguma embalagem e do olhar bem atento, e certamente encontrará diversas formas de vida vegetal presas às árvores.


Peguei três ou quatro tipos de tilandsias que temos por aqui e mais outros verdinhos que encontrei pelo caminho. No centro da foto acima aparece uma mudinha de orquídea que acabei não usando, e no alto à esquerda estão umas cascas de árvore cobertas de musgo, que gostam de mais umidade que as tilandsias mas resolvi usar assim mesmo, como experiência.


Com tudo reunido, resta soltar a criatividade porém seguindo alguma lógica: embaixo vão sempre as pedras, que são mais pesadas e farão as vezes de solo. Por cima delas pode ir areia num cantinho ou outro, para compor o visual e fazer uma boniteza, mas não é necessário. Por último vêm as plantas, colocadas onde o feeling indicar e sempre apoiadas de alguma maneira, para que fiquem estáveis.

No vidro maior usei duas tilandsias com as raízes enterradas nas pedrinhas do fundo, uma pedra daquelas roubadas na rua, um pedacinho de casca de pinus e um galhinho na vertical, com uma micro-tilandsia presa no alto. Ela já estava grudada nele, eu os encontrei caídos na grama.

Vidro maior visto de frente,

de costas (ou da outra frente)

e de cima.
No vidro médio fiz o fundo com substrato para orquídeas, que tem casquinhas de pinus e pedaços de carvão, coloquei duas tilandsias diferentes (uma presa num pauzinho), a outra pedra roubada na rua e um pedaço grande de casca de árvore (acho que do ipê branco).

Uma frente

a outra frente (com mais cara de costas)

e de cima.



No vidro de tempero fiz a versão mini-aerium, para enfeitar a janela da cozinha. Fundo de pedras, uma casca de árvore com musgo e duas tilandsias bem pequenas.


Uma colher, uma pinça comprida ou palitos de comida japonesa e um pauzinho fino são ferramentas importantes na hora da montagem se os vidros foram longos de boca estreita, e um borrifador é apetrecho fundamental permanente; ele será o regador. Assim como chove lá fora, é preciso repor a umidade dentro do vidro de vez em quando. A frequência vai depender de alguns fatores:

- fundos feitos com cascas de árvore e substrato para orquídeas retêm um pouco de água, portanto podem ser regados menos frequentemente do que fundos feitos com pedras.

- aeriums em vidros fechados praticamente não perdem umidade, mas os abertos e principalmente os montados em vidros de boca larga secam em poucos dias.

- se o aerium é aberto, recebe um pouco de luz solar direta, está em local com ar condicionado, com corrente de ar ou todas as alternativas anteriores, será necessário umedecê-lo com certa frequência. Talvez a cada 5 ou 7 dias.

Normalmente rega-se um aerium uma vez por semana ou uma vez a cada duas semanas, mas tudo depende do quanto de água foi colocado na rega anterior e do quanto evaporou desde então. É preciso observar as plantas, a cor das pedras e das cascas e o estado do vidro por dentro. Se está embaçado ou tem gotinhas de água em algum lugar, ainda não é hora de molhar de novo. Se as pedras e cascas estão escuras, também quer dizer que ainda há umidade por lá.

Quanto à luminosidade, tilandsias gostam de bastante luz difusa e um pouquinho só de sol direto, menos de uma hora por dia. Não mais do que isso porque estão acostumadas com ar fresco, e sol direto esquenta muito, principalmente em casos de aeriums fechados.

Acertados esses detalhes, é um mini jardim facílimo de cuidar. Se sua mãe gosta de plantas e você tem vontade de surpreendê-la com um presente diferente, personalizado e feito por você, arregace as mangas e corra já montar um desses para ela.
A seguir deixo fotos de tilandsias do meu quintal, para te inspirar e ajudar a identificá-las no passeio no parque.






Essa está presa numa haste de ferro da antena de rádio

Este é um líquen, não uma tilandsia, mas se você conseguir
desgrudá-lo ele também pode ir para o seu aerium.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Grandes vasos leves


Desde que comecei a usar vasos grandes, minhas plantas melhoraram e o visual da varanda e do jardim também. No quesito, digamos, ornamentação, percebi que vasinhos pequenos no chão não preenchem bem os espaços e sempre me deixam com a sensação de estar numa casa de bonecas, onde tudo é pequenininho e eu sou gigante. Sem falar que a planta fica confinada num pouquinho de terra que logo perde sua capacidade de nutrição, e aí só a adubação frequente salva.

Aos poucos comecei a investir em vasos maiores - de 40 a 60 cm de altura - e tudo foi ficando bem mais bonito. Mas continuei com um problema antigo e ganhei um problema novo: vasos de barro, meus preferidos, secam muito rápido por causa da porosidade do material. Isso eu já sabia. A novidade foi lidar com o peso dos grandões, que preciso arrastar uma vez ou outra para fazer faxina e quando quero mudar a localização deles na casa. Sem falar no trabalho que deram para entrar e sair do caminhão de mudança, há quase dois anos.

Daí me deu os "cinco minutos" e acabei planejando novos remanejamentos. Nos dias em que sobra um tempinho (e paciência, e disposição e vontade de reformar, reformar e reformar), escolho duas ou três plantas que precisam de uma garibada na terra e parto para o ataque. O primeiro passo é tirar tudo de dentro do vaso. Depois, com uma escovinha de tanque, lavo o barro por dentro até tirar todo o resto de terra e coloco no sol pra secar bem.

No dia seguinte, com o vaso bem seco, é a hora da impermeabilização com tinta asfáltica, dessas que se encontra em qualquer loja de material de construção. Ela fecha todos os poros do barro, impedindo que a terra seque muito rápido. O vaso acaba se comportando como se fosse de plástico e só perde umidade pelo furinho de baixo e pela evaporação normal que acontecem em cima, na superfície da terra.

Aplico Neutrol só por dentro, nas laterais e no fundo, sem muitas cerimônias nem preparativos porque ando meio sem paciência. Fiz um furinho no bico de plástico da tampa da lata e vou vertendo a tinta dali mesmo, nas paredes do vaso. Depois espalho com pincel. Nada de bandejinha, rolinho e outros apetrechos especiais. Tem que ser prático e rápido, senão acabo desistindo antes de fazer em todos.



Algumas vezes dei duas mãos, com algumas horas de intervalo entre elas. Em outras, pintei uma vez só e pronto. Vai servir como experiência, pra descobrir se faz diferença.

Depois da pintura, vem um jeito diferente de remontar o vaso. Antes eu colocava um pouco de pedras ou bolinhas de argila expandida no fundo, para a drenagem da água, depois manta de bidim ou uma camada de areia e enchia todo o resto do espaço com terra (se você não tem experiência com vasos, veja aqui os porquês). Mas aí quem aguenta mover o vaso de lugar?

Agora inventei um fundo falso nos vasos para plantas de pouca raiz, que não precisam de tanta profunidade de solo para se alimentar. É uma maneira de economizar terra e diminuir o peso total do vaso.


Na foto acima, ocupei 30 cm do fundo com latas e garrafas PET que tinha separadas para a reciclagem. Vale também colocar um vaso de plástico quebrado com a boca para baixo, ou uma lixeirinha velha, um baldinho estragado ou qualquer outra coisa que se possa resgatar do descarte. A ideia é não comprar nada e reaproveitar o que está sobrando. Só não use nada biodegradável que vá se decompor nos próximos 10 anos, senão um dia você será surpreendido com o desabamento da sua planta lá para o fundo do vaso.

Depois de resolvido o fundo falso é preciso criar uma base de sustentação da terra capaz de impedir que ela preencha os muitos vãos entre as latas. Isso vai manter o fundo leve e impedir que a terra saia pelo buraquinho de escoamento da água.

A Cuca tem certeza que manta de bidim é paninho de cachorro.
Foi difícil trabalhar com ela deitada em cima.


No vaso das fotos usei uma manta de bidim (manta acrílica para vasos) só porque tinha um retalho antigo em casa, mas também vale um fundo de balde que se ajuste bem, um retalho de cobertor velho, um pedaço de saco de ração de cachorro ou qualquer outro material que se possa moldar com facilidade para isolar as latas lá embaixo.

Daí em diante é o de sempre: terra de boa qualidade até quase em cima, depois ajeitar a base das plantas mais ou menos na altura da boca do vaso, e então completar o que falta de terra. 



Faltou explicar como é que se sabe quando uma planta não precisa de muita profunidade de terra, não faltou? Pois bem, é preciso observar e pesquisar, além de uma boa dose de bom senso.

Uma arvoreta, como uma pitangueira ou jaboticabeira, pode crescer feliz e até dar frutos num vaso grande, mas dê de presente a ela a maior quantidade de terra que puder e ela retribuirá com um bela produção. Além dessa questão da terra abundante para que ela possa se alimentar, é muito importante um vaso bem pesado para que o conjunto todo não tombe quando a árvore crescer, então vasos com fundo falso não são boas opções para arvoretas.

Pequenos arbustos e outras muitas formas de plantas ornamentais têm exigências variadas de espaço para suas raízes. Algumas querem profundidade e não ligam para largura, outras, como a maioria das ervas, querem se esparramar só no rasinho mesmo, então um bom ponto de partida é observar o vaso onde sua planta estava quando veio da loja ou a conformação das raízes quando você desfez seu antigo vaso para reformá-lo.

Na dúvida, garanta terra em pelo menos metade do volume dos vasos grandes, principalmente se sua planta já vivia bem num vaso menor, e observe como suas raízes se espalharam quando fizer os próximos transplantes e reformas.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Liquidificador de manivela - você tem a força!


Sim, um liquidificador manual, para botar o muque para funcionar e testar seu torque. Confesso que logo que ganhei, pensei "Nunca vou usar. Se não tivesse a versão elétrica, talvez, mas como já tenho..."

Ledo engano. Não sei se é pelo romantismo, pela economia de energia, pela atividade física ou por todas as opções anteriores, mas os sucos de frutas aqui nunca mais foram feitos de outra maneira. Claro que quem tem bracinhos magrelos como os meus não pode querer triturar cebola inteira ou bater amêndoa até virar farinha, mas a traquitana é super útil para muitos dos preparos de todo dia.

Serve também para mostrar para as crianças (e para os adultos de pouca memória) que a engenharia mecânica sobrevive sem a engenharia elétrica, e que um dia tudo funcionou na base da força física. Além disso, quebra um galhão no pique-nique, no acampamento ou na roça, onde a vida funcionará sempre num outro ritmo, senão deixará de ser roça.

Atualização em 3mai: não sei onde meu liquidificador foi comprado (ganhei de presente) e a única coisa que aparece escrita nele é a palavra UNIVERSO. Suponho que seja a marca. Pesquise na internet e verá que é fácil encontrar alguns modelos e variações de cor.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Presentes criativos e carinho à moda antiga


Sempre fui dos presentinhos personalizados, e mais ainda agora, vivendo em sítio, curtindo coisas plantadas, colhidas, feitas... Para a maioria dos amigos e parentes não sei mais sair para escolher um presente. Tudo me parece muito genérico, pasteurizado e repetido, e sempre acabo achando que algo que eu faça com carinho vai ser muito mais bem recebido do que algo de loja. Ou estou perdendo a prática de fazer compras ou estou ficando especialista em inventar presentes feitos por mim. Ou os dois, e que bom!

Hoje de manhã sentei para escrever uma carta à mão, afinal, se um pacotinho vai pelo correio cruzando oceanos para levar um presente, tem que levar junto uma carta à moda antiga, muito mais gostosa de receber do que um e-mail. E que coisa diferente, escrever uma carta no papel. Chega uma hora em que a letra começa a ficar troncha, denunciando que a mão não tem mais costume de escrever algo tão longo. Descobri que perdi a prática e a musculatura adquiridas nas aulas de biologia da professora Ester, quando fazia cadernos gordos, lindos, todos coloridos, anotando sobre células, mitocôndrias, fagocitose...

Das pulseirinhas de linha que tecia na adolescência ainda tenho prática, e fiquei feliz de ter tido a ideia de dá-las de presente acompanhando uma camiseta confortável. Eram o tipo de presentinho que todas as meninas gostavam de ganhar, e ainda hoje as mesmas meninas, já crescidas, curtem um enfeitinho feito à mão, desses de feirinha de praça. Pois foram num pacotinho as pulseiras, a camiseta e uma carta, e a essa hora já começaram a viagem internacional.

***

E no sábado acho que acertei mais um presente diferente, desta vez infantil. Porque se tem uma coisa que anda difícil é escolher presente pra criança. Tudo é eletrônico e funciona sozinho. Você dá o brinquedo, os pais colocam as pilhas e o pequeno fica olhando a coisa brincar. Carrinhos andam por conta própria, bonecos falam e instrumentos tocam ao simples apertar de um botão (quando não é por comando de voz).

Mas a tia aqui se rebelou a vai remar contra a correnteza! Nico fez dois anos e ganhou de mim um regador e um tomateiro. E não foi uma escolha aleatória, não, foram presentes escolhidos a dedo. O regador porque a figura adora água e descobri que também gosta de regar a grama. Foi o que fizemos juntos aqui em casa no final de semana passado. "Tia Jumbis, mais", ele dizia pra mim. E mais, mais, mais, até a barra da calça ficar ensopada, daí paramos pra não levarmos bronca dos pais. O tomateiro foi escolhido por ser hortaliça que produz fácil em vaso, e até dá pra comprar já com frutos (eu não tive a ideia a tempo de plantar um, então comprei). Como Nico é um menino dos espertos (filho de mãe consciente), já conhece e come numa boa cebola, ervilha, brócolis, tomate... Aponta o dedinho, fala o nome e pede mais.

Está ou não está na hora de aprender a cuidar da comida que gosta de comer? Mal é que não vai fazer!


PS: acabei não produzindo um super embrulho mas inventei um jeito curioso de juntar o kit regador + tomateiro. Foi só espetar um arame grosso na terra do vaso e enfiá-lo pelo bico do regador pra conseguir o efeito de uma mão invisível regando a planta. Ele olhou aquele regador levitando, foi logo passando a mão e rumando em direção à torneira, de sorriso no rosto. Já é dos meus.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Para o almoço, dióxido de titânio, inosinato dissódico, estearoil lactilato de sódio, hidroxipropilcelulose e mais! Ou como bater chantilly

Mix 7 vegetais desidratados

Dia desses, depois de preparar uma fritadinha gostosa de PTS (proteína texturizada de soja) para o almoço, aproveitei uma troca de e-mails com a Neide para perguntar se ela acha o caldo de legumes industrializado uma criatura muito do mal.
A resposta veio logo, e como eu desconfiei que viria: não gosto do caldo.

Depois disso é que fui ler na caixinha a lista dos ingredientes que tinha acabado de usar. Descobri que se tivesse lido antes nem precisava ter perguntado. Repare:

sal, gordura vegetal, amido, açúcar, cebola, espinafre, alho, cenoura, cúrcuma, alho poró, salsa, repolho, tomate, pimentão vermelho, aipo, abóbora, pimenta do reino branca, realçadores de sabor glutamato monossódico e inosinato dissódico, emulsificante mono e diglicerídeos de ácidos graxos, corantes dióxido de titânio e caramelo IV e acidulante ácido cítrico.

Pra começar, o tamanho das letras na embalagem já é uma afronta. Ainda não estou na idade da vista cansada mas tive dificuldade de desvendar as palavras desconhecidas. As informações "número 1 do Brasil em vendas" e "sem conservadores" aparecem grandes, destacadas, mas o dióxido de titânio (!!!) está mesmo muito bem escondido. A foto da lista de ingredientes (abaixo) foi feita de muito, muito pertinho, por isso você pode ler, mas tente na caixinha e você vai entender o que eu digo.

Caldo de legumes - ingredientes

Dos caldos de carne e de galinha, entre outros, já tinha ouvido falar que são feitos dos restos dos animais que ninguém se atreve a comer, e que quem já viu de perto o processo de produção nunca mais põe um cubinho desses na comida. Eca.

Junto com não gosto do caldo a Neide me sugeriu ter uma caixinha com várias especiarias para combinar na hora, ou já deixar a misturinha pronta pra dar mais graça aos pratos, o que nada mais é que a parte boa do caldo de legumes. Desidratados, todas essas coisas duram bastante e a gente usa do jeito que preferir.

Agora olho de esguelha para o resto da minha caixinha de cubos e não quero mais usar. E como ainda não deu tempo de fazer um bom passeio por um desses mercados municipais onde se encontra de tudo a granel, ando à caça de temperinhos diferentes em supermercados comuns mesmo. Não é muito fácil encontrar algo desidratado além dos óbvios alho e cebola, salsa e cebolinha, pimenta do reino, orégano, manjericão e outras ervas que já tenho na horta, mas num supermercado diferente achei um simpático mix de sete vegetais que apeteceu.

Mix 7 vegetais - ingredientes

É aquele lá da foto no início do post. Já usei em refogado de legumes, risoto e ontem à noite numa sopa. É gostoso e realmente enriquece um pouco o sabor da comida, além de te livrar dos glutamatos, dos inosinatos e do dióxido de titânio, que é ótimo pra remendar quem quebra os ossos mas na minha refeição eu não quero, muito obrigada.

* * *

E alguns dias depois do episódio do caldo de legumes me peguei dando mais uma mancada parecida: para receber visitas em casa fiz uma sobremesa que gosto de enfeitar com chantilly, e com medo de me atrapalhar com a quantidade de preparos e ainda ter que bater creme de leite, acabei comprando o chantilly pronto, em spray. Foi uma dessas decisões que a gente toma sem pensar, porque pensando por 3 segundos eu teria optado mesmo pelo creme de leite fresco.

Primeiro porque o spray de chantilly é aerado, e isso faz com que ele fique bonito só por alguns minutos em cima da sobremesa. Logo se percebe que aquela decoração bonita que você fez está murchando, e em pouco tempo aquilo vira uma coisa branca derretida horrível.
Segundo porque, para economizar cinco minutos de batedeira e o trabalho de colocar o chantilly dentro de um saco com bico de confeitar, eu troquei isso:


por isso:

Spray de chantilly - ingredientes

Então, caro(a) amigo(a) doceiro(a) inexperiente, não tenha preguiça e também não acredite se um dia alguém te disser que bater chantilly é uma arte, que dá trabalho demais porque suja a batedeira e o saco de confeitar ou que é perigosíssimo você perder tudo porque bateu demais e produziu manteiga.

Encare o desafio e aprenda a bater chantilly: compre creme de leite fresco, dê uma gelada extra nele colocando a embalagem no congelador por 15 minutos (ligue o timer!), tire sua batedeira do armário e fique olhando enquanto ela trabalha pra você. Vai demorar de 2 a 4 minutos para você ter um creme fofo, grosso e branquinho, com ondas bem marcadas. Na dúvida, pare a batedeira, enfie o dedo naquela gostosura e prove, pra saber se está como o chantilly que você conhece. Se ainda estiver muito mole, bata mais um pouquinho. Não demais senão realmente passa do ponto, mas se suas visitas não estiverem com o dedo na campainha, isso não é nenhum drama e serviu para você aprender a fazer manteiga!

segunda-feira, 18 de março de 2013

Gelatina de frutas ou frutas de gelatina? Moranja, maracuvá, pitão... invente as suas!


Sobremesa colorida alegra a mesa e todo mundo gosta. Ainda mais quando dá pra aproveitar as cascas que sobraram do suco e brincar com a criançada de batizar frutas que só existem quando a gente inventa. Gelatina de morango na casca de laranja vira moranja, casca de maracujá com gelatina de uva vira maracuvá, pitaia com limão vira pitão e por aí vai.

Como fazer, acho que você já imagina. Frutas cortadas ao meio raspadas com colher e preenchidas com gelatina morninha, quase fria. Fiz com um pouco menos de água do que manda a caixinha; quatrocentos mililitros ao invés de meio litro. Na hora de servir é só fatiar com uma faca bem afiada, pra fruta inventada sair linda.

Melhor ainda só fazendo gelatinas naturais com suco de fruta de verdade, mas eu só tive essa ideia depois de tudo pronto. Que tal você experimentar e voltar para contar?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Etiquetas de alumínio para identificar mudas


Já há tempos estou para mostrar um jeito definitivo de identificar plantas e qualquer coisa que esteja ao ar livre e precise carregar um nome por muito tempo. Nossas plaquinhas de alumínio são prata da casa; foram inventadas aqui mesmo, no viveiro, diante da necessidade de identificar as mais de 150 espécies de árvores, palmeiras e outras plantas que cultivamos.

Grande parte da nossa produção podemos reconhecer num relance, assim como os pescadores reconhecem os peixes e os astrônomos as constelações, mas diante das milhares de variedades de árvores e plantas deste enorme bioma privilegiado - são mais de 10.000 espécies só de árvores nativas do Brasil - sempre haverão as novatas no viveiro, que ainda não conhecemos, ou mesmo as antigas que, por algum motivo, nunca memorizamos o nome. Sem falar nas sementes que germinam parecido, como as diversas cores de ipês, e as variações de uma mesma cor, como o ipê roxo e o ipê roxo de bola. Em todos os casos, é sempre bom que o nome correto acompanhe a planta.

Há alguns meses mostrei aqui as etiquetas de plástico de embalagem de chocolate e saco de ração de cachorro, mas elas têm o problema da permanência da tinta, que por mais que se diga que dura pra sempre, sob o sol e a água da chuva não dura. Foi então que um dia o Flores teve a ideia de escrever em tiras de latinha de alumínio. Cortou com tesoura a tampa e o fundo de uma latinha de cerveja e depois cortou o corpo da latinha em tiras de 2 cm de largura pelo comprimento que deu (coisa de 8 cm). Estava inventada a etiqueta.

Depois vieram os aperfeiçoamentos, como fazer uma ponta num dos lados no caso de querer espetar a etiqueta na terra, ou um furo com prego para passar uma fita ou arame e amarrar no tronco ou num galho da planta. Na hora de escrever, sobre um caderno de jornal, pedaço de borracha ou de madeira, usamos caneta esferográfica comum para marcar o alumínio. Acaba até ficando um pouco da tinta, mas a ideia é marcar o nome em baixo relevo, que esse sim não apaga nunca.

É simples, eficiente e usa material reaproveitado. Se quiser experimentar, fique à vontade que a gente não cobra direitos autorais. Só tome cuidado para não se cortar durante o manuseio, porque a lata sempre fica um pouco afiada.

Plântulas de ipê verde (Cybistax antisyphilitica)

Mudinhas de cereja do rio Grande (Eugenia involucrata)

Muda de barbatimão (Stryphnodendron adstringens)

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pipoca l'ancienne


Depois da frustração de descobrir que o microondas assassino carbonizou as pipocas enquanto elas ainda estouravam dentro do saco de papel, achamos por bem ressuscitar uma técnica ancestral: pipoca de panela.
E que gostoso foi escutar aqueles estouros com eco metálico, ver a tampa da panela dar pulinhos de animação e sentir o cheiro que só a pipoca à moda antiga tem!
E que mal há em lavar uma panela ao final da brincadeira? 

Fazer pipoca na panela é uma maneira de economizar o plástico, o papel e o alumínio da embalagem para microondas, além de você ter a chance de dosar o sal e o óleo que vai ingerir.

E se você já se esqueceu como se faz isso, vai a receita de pipoca de panela para 2 pessoas:

Em uma panela com 1 palmo de diâmetro, coloque 2 colheres de sopa de óleo e milho suficiente para cobrir o fundo - cobrir o fundo com o milho é a referência do quanto de pipoca cabe nas panelas de proporção "normal", aquelas um pouco mais largas do que altas.
Acenda o fogo alto, tampe a panela e fique junto. Quando ouvir os primeiros plocs, abaixe o fogo e agite a panela algumas vezes até que o intervalo entre os estouros comece a ficar mais longo. Desligue o fogo, espere tudo acalmar e abra a panela.
Aos poucos, vá transferindo a pipoca para uma tigela, colocando sal nas "camadas"; assim ele já fica bem distribuído.

Um bom filme, sua novela preferida, um cd novo ou mesmo aquele livro que você não consegue largar são uma ótima companhia para sua pipoca à moda antiga. E não espere chegar o próximo final de semana!