quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Despedidas

É certo que árvores caem, assim como os animais de estimação morrem e os namoros acabam. Mas não é por isso que a gente deixa de plantá-las, como continua amando gatos e cachorros e se apaixonando sempre que o coração abre uma vaguinha.

Aqui no sítio estamos numa fase de desabamentos, e nem dá pra por a culpa sempre na chuva. Grande parte das árvores daqui é bem antiga: tem jequitibá rosa de 36 anos, nogueira de 58, lichia e jaboticabeira de 60... Por isso o sítio é um delicioso ambiente todo manchado de luzes e sombras e super rico em biodiversidade. Só que como todo ser vivo, árvores ficam doentes, eventualmente sofrem acidentes, fraturas e avarias e um dia também morrem, não tem jeito. E assim como nós, quanto mais velhinhas, mais frágeis ficam.

Nessas horas a gente fica chateada, porque é sempre triste assistir a esses finais. A falecida vai embora em pedaços ou fica estirada ali mesmo, onde caiu, apodrecendo com o passar do tempo, enquanto no espaço que ela ocupava sobra aquela ausência pesada, um vazio que muda para sempre a paisagem. Os passarinhos também ficam meio órfãos - falta pouso, esconderijo e comida.

Por outro lado, é oportunidade de mudança e recomeço. É gostoso pensar numa nova espécie para por no lugar, com um formato de copa diferente, flores de um outro colorido e frutos que atraiam aves que nunca vieram.

Assim estamos, nos acostumando com o final da vida da falsa seringueira (Ficus elastica) e da nogueira (Carya illinoensis)...

Ficus meio vivo meio morto, afetado pelo fogo em maio de 2012, veja aqui

O galho da nogueira pecã caiu de velho, numa madrugada sem vento

bem em cima do tratorzinho dos anos 50 que fica estacionado no jardim

... e já com as ausências do flamboyant (Delonix regia) e da embaúba (Cecropia sp.) que acabou de cair ontem.

Há semanas o flamboyant caía aos pedaços, um galho dos grandes de cada vez

Tivemos que apelar para a motossera antes que o resto caísse sobre a casa do funcionário

A embaúba era um lindo guarda-sol na entrada da casa, mas há duas
semanas o galho de cima do telhado caiu

e a falta de todo um lado desestabilizou os outros galhos

Estrutura interior dos galhos finos da embaúba

Depois que mais um terço da copa caiu, bem em frente à varanda...

... resolvemos que era hora de acabar com todo o resto

Este janeiro parece ser o mês de despedida dessas árvores, sem explicação e por simples coincidência. Os pedaços têm caído à toa, às vezes sem nem um soprinho de brisa. Caem porque acaba a força, porque chega mesmo o fim da vida. É assim.

Ah, e nos primeiros dias do ano uma ventania derrubou uma jovem manduirana (Senna macranthera), que apesar de saudável não se aguentou de pé.

A manduirana da entrada caiu bem em frente ao portão num dia de ventania inesquecível

Sobrou o tronco partido, mostrando que a madeira é tão amarela quanto as flores

Linda, não?

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Do dedo para o pauzinho foi um pulo


Depois que as primeiras dificuldades foram resolvidas e a vida entrou no eixos, percebi que estava começando a fase de aprendizagens, então algumas coisas precisavam ser estimuladas para que um dia ela possa viver solta com as outras rolinhas. Resolvi comprar uma gaiola, porque o engradado de plástico é muito fechado e é importante tomar sol. Além disso uma gaiola é mais segura numa casa com gatos e cachorros, e é mais fácil de pendurar nas árvores.

Outra coisa que me fez decidir pela compra foi a questão dos poleiros. Na caixa ela só andava no plano, sobre o jornal, e precisava aprender a se segurar em galhos. Esse treino começou ainda dentro do escritório, quando ela tomava sol na minha mesa num fim de tarde, andando em volta do computador, e agarrou meu dedo com as patinhas.


Logo substituí o dedo pro um lápis de galho e, de tão natural que ela ficou, saquei que era mesmo preciso começar com a oferecer poleiros.


Com a moça em franco desenvolvimento (e por falta de espaço na gaiola) parei com o abajur, mas meu coração de mãe não teve coragem de desligar o calorzinho por completo, então ainda passei algumas noites deixando um tapetinho elétrico ligado embaixo da gaiola. É como uma lâmpada de 50 watts, está escrito nele. Poderia ter sido uma bolsa de água quente, mas o tapetinho estava à mão, então foi assim.

Nesse tempo as peninhas foram ficando cada vez mais penteadas e eu tive a impressão de que já não era mais preciso aquecê-la de noite, então agora só embrulho a gaiola com o cobertor, deixando aberto um lado quase todo.

Quanto à comida, segui as indicações do moço da loja agropecuária e continuei com a papinha na seringa, mas passei a deixar o comedor da gaiola com quirera e grãos variados e um copinho com água, assim logo ela começa a descobrir que tem novidade à disposição. Mas gostoso mesmo ainda é a comidinha da mamãe...


domingo, 26 de janeiro de 2014

Aprendendo a comer e descobrindo a lâmpada


Rolinha foi instalada no escritório - o único lugar da casa livre de gatos - dentro de um engradado de plástico com tampa de tela, e eu fui para o Google, pesquisar como alimentá-la. Santo Google, que tudo sabe, me ensinou que naquela hora, sexta de noite, eu poderia improvisar uma papinha com fubá e água e dar para ela numa seringa de quatro em quatro horas (menos de noite). Ensinou também que os filhotes de rolinha, diferente dos filhotes das outras espécies de aves, não abrem o bico quando a mãe chega de volta ao ninho, por isso é preciso dar uma "forçadinha" com a ponta da seringa até que eles abram as portas pro aviãozinho entrar.

O que não consegui descobrir na internet foi a densidade certa da papinha de fubá, e acabei preparando uma sopinha amarela que no primeiro dia quebrou um galho. Só que no sábado a tarde Rolinha parou de fazer cocô, e isso não é bom sinal em ser vivo nenhum. Daí fiquei com medo de tê-la entupido com o fubá denso demais e fiz duas rodadas de água pura. Também virei o bichinho de bumbum pra cima e descobri uma rolha verde entalada metade pra dentro metade pra fora. Hora de trocar a fralda.

O domingo foi um pouco tenso. Dei sopinha de fubá, água de novo, e pelo menos vi algum cocô no jornal da caixa. Só que era uma coisa muito líquida, uma água verde folha, parecia tinta, bem estranho. E Rolinha cabisbaixa, amuada no cantinho. Na segunda-feira ela amanheceu fria, tremendo, parecia que ia congelar. Corri numa loja agropecuária e voltei não só com a comida certa (ração para pássaro filhote) mas com a proporção de preparo da papinha: uma parte do pozinho amarelo para duas partes de água. Santo Google falhou nesse ponto. Isso dá uma pomada grossa que eu duvidei que entraria na seringa, e diante dela acabei descobrindo que por dois dias lavei a rolinha por dentro com muita água pra pouco fubá, por isso ela não estava bem. Também pode ter sido o ferro e o ácido fólico do fubá de gente, não sei.


Mas aí tudo mudou, porque comida certa é tudo na vida. Na manhã de terça-feira encontrei uma mocinha bem disposta passeando pela caixa e se acocorando perto da cúpula do abajur que ganhou, porque "eu não sou boba não e sei que aqui é mais quentinho". O abajur tem a haste flexível e eu apontei a cúpula para baixo, senão ficaria longe dela e nem caberia dentro da caixa. O escritório parecia um forno, com aquela luz ligada o dia inteiro, mas ela estava achando bom bem perto da lâmpada, então ficou assim.

Lá pela segunda ou terceira noite de abajur ligado me toquei que o escuro é fundamental para descansar, porque pelo menos na gente existe um hormônio do sono que só é liberado quando todas as luzes se apagam, e talvez ela ficasse estressada não tendo noite nunca. Passei então a desligar o abajur quando o sol se punha e a embrulhar a caixa com um cobertor grosso, com medo que ela voltasse a tremer de noite. De manhã desembrulhava a caixa e ligava a luz outra vez.

Com o passar da semana nós duas fomos aprendendo - eu a ser mãe de ave e ela a ser filha de gente. As horas da comida ficaram cada vez mais fáceis: uma seringa de 3 ml que antes demorávamos quarenta minutos pra esvaziar passamos a dar conta em dez, e lá pra quinta ou sexta-feira ela até já abria o bico quando eu chegava perto com a papinha - novidade no mundo das rolinhas. Comia quatro vezes por dia, tomava um pouco de sol da manhã diariamente em cima da mesa do quintal e passava o resto do dia ao lado do abajur ligado. Apesar dos trinta e poucos graus que fazia no sítio a figurinha queria tanto calor que aprendeu a entrar dentro da cúpula pra ficar bem perto da lâmpada. E eu deixei, porque ela estava ali de livre e espontânea vontade e sabia sair, que eu vi.


Continua.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Voltando, e com bebê a tiracolo


Ando recebendo e-mails de leitores querendo saber por onde ando, o que me deixa muito lisonjeada, e dia desses também a querida Carol, do Minhas Plantas, me disse que anda com saudades de mim mas entra no De Verde Casa e só encontra uma lagarta velha de um post do ano passado. "Ju, você não posta mais?"

Sempre explico pra ela (e já repeti mil vezes, coitada), que ando vivendo a angústia de trabalhar nas mudas de árvores pensando que deveria estar no computador, e de trabalhar no computador angustiada por não estar nas mudas. O blog então…

É unanimidade na região que falta mão de obra, e nem precisa ser da especializada, não. Faltam todas, falta qualquer uma. Uns dizem que são os bolsa isso, bolsa aquilo que fazem as pessoas se acomodarem porque já estão ganhando o suficiente para viver. Outros dizem que quem trabalhava no campo foi para o ar condicionado das indústrias e não quer mais pegar pesado sob sol forte. A explicação certa não sei, o fato é que eu, que nunca escolhi trabalho - nem mesmo quando me mudei para a roça -, ando fazendo de tudo para tapar buracos. Até literalmente, quando ando por aí de enxada na mão movimentando terra.

O resultado é que a horta, as experiências ecológicas e a poesia de fotografar a vida em pequenos detalhes ficam para depois, porque o caminhão de substrato atolou na hora de sair do sítio, o flamboyant está quase desabando na casa do funcionário e o homem da motosserra não pode vir antes da chuva, o cano de irrigação do viveiro estourou na hora de desatolar o caminhão, o mecânico não vai mais entregar o carro hoje e… a Cuca pegou uma rolinha que acabou de cair do ninho!

A captura aconteceu quando eu estava quase saindo, com hora marcada, e é sempre assim. Sorte que a cachorra pega de levinho, acho que pra brincar um pouco com o bicho vivo antes de comer. Como aconteceu bem na minha frente, deu tempo de agarrá-la, abrir o focinho à força e salvar a rolinha criança, toda descabelada e molhada de cuspe. Para eu poder sair, a bichinha foi colocada dentro de uma caixa de transporte de gatos, que era a embalagem arejada mais segura que eu tinha, e passou o dia ali ao lado de quirera e um potinho com água, sem saber para que eles servem. Nem um grãozinho foi bicado, nada de água sumiu dali. Várias vezes durante a tarde fui até ela dar olhadinhas rápidas, pensando "mais um que vai morrer na minha mão".

Já salvei inúmeros passarinhos das mais diferentes situações de risco e a maior parte deles morreu. Os sobreviventes foram os que não tinham se machucado nada, encontrados no chão só em choque, com os olhos parados, sem piscar, mas inteiros e respirando bem. Esses, depois de uns minutinhos de uma topada leve no vidro da janela, por exemplo, logo "acordam" do choque e saem voando. Os que batem forte na janela (assunto para um post, um dia) ou passam um minuto na boca dos cachorros ou dos gatos, esses não têm chance. Sempre morrem, por mais que eu me dedique nos cuidados.

Mas dessa vez Rolinha chegou ao fim do dia viva, inteira, respirando bem e me olhando com reservas de lá do fundo da caixa de gatos. O que fazer? Era um filhote, sem dúvidas, e eu não tinha a menor ideia de como cuidar daquele bichinho. Sempre fui dos peludos, não dos penosos, só que dali em diante éramos eu e ela.

Continua.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Com pelos e pintas


No pouco tempo que tem sobrado depois das atividades do plantio de 12 mil árvores, a natureza ainda me manda presentinhos surpreendentes.
Essa veio vestida de oncinha, mas é taturana. E a julgar pelos tufos brancos, longos como os bigodes do felino, trata-se mesmo de uma fera.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lançamento da linha de terrariums - venha vê-los pessoalmente!


Já pensou em ter um jardim em miniatura com plantas tão pequenas que cabem na palma da mão e que precisam de água uma vez a cada... três meses? Pois isso não só existe como tem nome: terrarium. Para comemorar a entrada da Primavera, no dia 26 de setembro, a partir das 13 horas, a Maria Bonita lança a linha Bothanica Bonita, criada com exclusividade pelas empresárias Carol Costa e Juliana Valentini.

A coleção traz 20 jardins cultivados em vidros artesanais, com destaque para as raras micro orquídeas brasileiras - algumas de flores menores do que a cabeça de um alfinete. "Queremos mostrar um pouco da beleza que está escondida no que resta de Mata Atlântica", explica Carol. Ela ressalta que as plantas não foram coletadas da natureza: vêm de um colecionador que há 40 anos se dedica ao estudo de micro orquídeas. "É uma forma de valorizarmos algumas das joias raras brasileiras, plantas que não se vê nem em exposição", completa Juliana.

Os terrariums da coleção Bothanica Bonita estarão à venda por duas semanas apenas na loja Maria Bonita da rua Oscar Freire.

Quem é Carol Costa
Sócia do site Minhas Plantas, é jornalista e colunista da Rádio Globo SP, onde fala sobre jardinagem. Seus vídeos com dicas sobre orquídeas já foram vistos por mais de 1 milhão de pessoas. Ministra oficinas de cultivo de plantas ornamentais em empresas, condomínios e para grupos interessados no assunto.

Quem é Juliana Valentini
Criadora do site De Verde Casa, é empresária especializada em sustentabilidade. Produz mais de 150 espécies de árvores nativas no Viveiro Oiti, localizado em Holambra (SP), onde trabalha com projetos de reflorestamento em várias regiões do país.

Sobre a Maria Bonita
Fundada em 1975, a marca é, hoje, referência brasileira em estilo, design e inovação. As peças da Maria Bonita são feitas para uma mulher contemporânea, que busca estilo e expressa atitude. As criações modernas, de corte impecável, são sinônimo de exclusividade e elegância.

Informações gerais
Coquetel de lançamento da linha Bothanica Bonita
Data: dia 26 de setembro, das 13h às 20h
Endereço: Rua Oscar Freire, 705, São Paulo (SP)
Entrada: gratuita
Telefone: (11) 3063-3609

Contatos:
Juliana Valentini - juliana@deverdecasa.com

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Feliz, mas com a consciência pesada e o blog cheio de fungos!


Eis aqui uma blogueira com a consciência pesada. Quase 60 dias sem postar, e tudo o que nasceu por aqui foram fungos. Cada um mais bonito que o outro, é verdade, mas é tudo o que tenho para oferecer hoje.

Por outro lado, a vida segue boa (boa não, ótima!), novidades acontecem quase todos os dias, o trabalho tem estado cada vez mais interessante e ideias novas vêm surgindo numa velocidade impressionante.

Outro dia escrevi sobre estar ansiosa, sem dar conta de tudo o que já tinha para fazer enquanto surgiam ainda mais ideias e novidades para abraçar (leia aqui). Continuo assim, mas talvez um pouco mais calma, entendendo que às vezes não há como não sacrificar algumas coisas em nome de outras.

Se uma amiga querida chega de surpresa no fim da tarde, bem no momento em que eu ia regar os vasos, as plantas esperam até o dia seguinte mesmo que já estejam um pouco murchas. Se aparece um convite pra viajar no final de semana em que o certo seria cuidar da horta, paciência; malas no carro, pé na estrada e a horta fica com mato. E se aparece um trabalho interessante num feriado de descansar em casa, simbora trabalhar.

Ser feliz no trabalho é fundamental, novidades são sempre bem vindas e, ao contrário de quem se queixa de tédio, eu abraço sim mais coisas do que dou conta. Quero ter todas as plantas que gosto, plantar todos os vegetais que como, fotografar as belezas da minha casa, costurar almofadas, pintar paredes, fazer bolo pras visitas, quero produzir presentinhos personalizados, visitar livrarias, não resistir e comprar aquele livro novo, andar de bicicleta pela cidade como uma holandesa, visitar os bebês da família, participar de todos os trabalhos para os quais me consultam, colecionar sementes, viajar...

Para quem ainda vem a essa verde casa procurando por histórias de vida e natureza, peço um pouco de paciência. Aos poucos vou voltando.


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Caçadores de bons exemplos

Imagem do site Caçadores de Bons Exemplos

Comecei a semana com um post na cabeça, mas o dia cheio de tarefas e o e-mail de divulgação de um bom exemplo mudou meus planos, por isso publico aqui uma história super inspiradora, que se não vai nos tirar de casa para uma expedição igual, ao menos pode nos estimular a ver o mundo através dos mesmos olhos.

Curta a história e clique no link, lá no final do post, para conhecer ótimos exemplos descobertos por Iara e Eduardo Xavier.

Caçadores de Bons Exemplos: O casal que percorre o mundo 
em busca de ações transformadoras

Eles poderiam perguntar coisas do tipo: Onde esta o posto mais próximo ou onde fica o hotel da cidade? Mas a pergunta que fazem ao chegar em novos lugares define bem o objetivo do casal que desapegou de tudo o que tinha e caiu na estrada em busca de algo além de ganhar dinheiro, adquirir bens e cuidar da família somente. A pergunta é: Quem faz a diferença nesta cidade?

Caçadores de Bons Exemplos é o nome adotado por Iara e Eduardo Xavier quando começaram a viagem pelo Brasil em janeiro de 2011. “Somos um casal cansado de ouvir notícias ruins. Acreditamos que existem muito mais pessoas do bem do que ações negativas no mundo”, afirmam.

Eles contam que sentiam necessidade de fazer algo maior pelas pessoas, mas não sabiam o que e nem como suprir essa vontade. Então decidiram viajar por cinco anos para conhecer e conviver com exemplos que fazem a diferença pelo Brasil e no exterior. “Precisávamos conviver com pessoas que já fazem isso. Pessoas que pararam de olhar apenas para ‘seu próprio umbigo’ e olham para um todo”.

O carro transformou-se na casa de Iara e Eduardo.
O sonho antigo não precisou de muito planejamento, foram se permitindo e quando viram já estavam na estrada rumo a Minas Gerais, onde encontraram o primeiro bom exemplo e a certeza de que estavam no caminho. “Planejamos muitas coisas para fazer nestes cinco anos, mas o tempo foi modulando e deixando o que realmente importa. Hoje está acontecendo o que precisava acontecer, o resto ficou pelo caminho”, explicam.

O objetivo é percorrer todo o país e o exterior encontrando gente e instituições que fazem o bem e trazem melhorias para a vida das pessoas por meio de ações.  Não estão preocupados em acarretar resultados ou promover grandes transformações e sim se emocionarem a cada encontro e poder compartilhar essa experiência do bem com o mundo.

A vida é uma viagem
“A vida passa rápido, como uma viagem e devemos ficar com as boas lembranças do caminho. Carregar em nossa bagagem não só roupas e matéria, mas sim o que fizemos com o próximo e pelo próximo. Nossa bagagem deve ter muitas fotografias de bons momentos e do bem que fizemos”,explica os Caçadores de Bons exemplos sobre o nome da expedição “A vida é uma viagem” que se tornou filosofia e os acompanham.

Para o casal, bons exemplos são aqueles que transformam. “Bom exemplo para nós é sinônimo de transformação. É aquele que faz algo a mais pela comunidade em que vive. É ir além do limite da comodidade e ‘botar a mão na massa’ para realmente resolver problemas sociais do país."

Na estrada descobriram que o povo brasileiro é caridoso e também acredita na mudança, diferente do que mostra os jornais. “Precisam apenas direcionar a solidariedade para ações menos assistencialistas e mais transformadoras”, dizem.

Para começar a praticar o bem o casal explica que não precisa ir muito longe, basta contribuir com aquilo que estiver ao seu alcance. “Ajude o próximo que está próximo de você! Não estamos falando de assistencialismo, mas sim de transformação de vidas! Coisas ruins sempre irão acontecer, mas, podemos neutralizá-las com ações positivas.”

Como se faz o bem
A única regra seguida pelo casal é não pesquisar na internet sobre projetos. As ações são indicadas pelas pessoas que encontram no caminho. Estão certos de que tudo pode acontecer em um dia. Não há horários para refeições, locais para banhos e nem para o repouso. “A única certeza é que no fim de semana postamos no nosso blog os projetos que encontramos pelo caminho”.

O carro se transformou em morada e foi adaptado a suprir algumas necessidades como panelas e frigobar para as refeições e uma barraca automotiva para repouso quando não são convidados a dormir na casa de algum morador.

O casal fala sobre o que os move a permanecer na estrada durante tanto tempo: “Acreditamos que todo mundo tem o bem no coração. Divulgando estas ações positivas e estes bons exemplos, as pessoas podem fazer o mesmo em suas cidades, transformando-se em multiplicadores ou podem ajudar aqueles que já fazem estas ações.”

A maior dificuldade encontrada pelo casal é a falta de patrocínio e não possuir um banheiro.
A única coisa que realmente acham necessária para realizar uma ação como essa é a vontade de fazer acontecer. “É necessário apenas a força de vontade e acreditar no sonho. O resto é detalhe”.

Muitas são as dificuldades encontradas no caminho, pois apesar de terem vendido tudo que tinham não eram ricos e a falta de apoio e patrocínio tem trazido alguns obstáculos superados com amor e perseverança por eles.  A falta de banheiro também é um das grandes dificuldades encontradas por Iara e Eduardo. “Foi uma mudança radical em nossas vidas”, diz eles.

A semente no caminho
Até o momento já registraram mais 600 boas ações em 133.855 km percorridos por terra, mar e ar, passando pelos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Pará e Amapá. "O que nos importa é a ação positiva que as pessoas realizam. Não importa o foco ou religião, o importante é fazer a diferença naquela comunidade”.

O pagamento pela atitude do casal vem em forma de histórias como a de uma senhora que após ler as ações encontradas por eles entrou em contato e disse que se sentia mal por nunca ter feito algo por alguém. Mas que a partir daquele dia confeccionaria enxovais para grávidas carentes. “Quantas pessoas leram sobre os bons exemplos e estão agindo? Talvez nunca iremos saber à proporção que alcançaremos, mas saberemos que a visão de alguns perante o mundo foi mudada”, dizem.

O sonho do casal é fazer uma revista ou livro de cada estado percorrido para catalogar as ações encontradas e distribuir as publicações gratuitamente para motivar mais pessoas a fazer o bem. “Fazer um intercâmbio de idéias positivas entre as regiões. Assim, podemos formar multiplicadores de ações sociais”, dizem.

Quando indagados se uma ação como a deles poderia mudar o mundo a resposta vem com um sorriso. “Sim! Tudo o que o ser humano faz pode mudar o mundo. Então, por que não tentar? Talvez não mudaremos todo o planeta Terra, mas pelo menos “mudamos” o mundo das pessoas que conhecemos pelo caminho. Sabe como? Fazendo com que elas reflitam sobre suas vidas” conclui o casal.
 

Texto da Agência de Notícias do Terceiro Setor

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Asas, pra que te quero


Passei dois dias observando a mariposa número 1 dentro do borboletário, esperando que ela parecesse um pouco ativa para então soltá-la. Ninguém disse que ela precisaria se mostrar lépida e fagueira para merecer a liberdade, mas ela ali parada o dia todo no mesmo lugar não me dava a impressão de que desejasse ganhar o mundo.

Também tive um pouco de dúvida a respeito da melhor hora para soltá-la lá fora. De dia ou de noite? Como dizem que as mariposas voam à noite, fiquei nesse dilema. Mas uma coisa era certa: dentro do vidro ela estava sem comer (e eu sem saber como alimentá-la) então achei por bem colocar o jardim inteirinho à disposição, para que ela resolvesse isso por si mesma. E me resolvi pelo fim da tarde, assim ainda é um pouco dia mas já vem caindo a noite.

Capturei-a dentro de um copo e fui pra baixo do ipê roxo, não sem antes fazer a foto acima. Foi nesse momento, quando ela abriu as asas, que confirmei se tratar de uma mariposa chamada popularmente de "olho de boi", e de Automeris umbrosa nos livros. Quando está em repouso ela esconde as asas inferiores, mas quando voa (ou se prepara para decolar), se abre toda e mostra dois grandes "olhos" pretos e amarelos bastante característicos da espécie.

Foi bem bonito quando ela entendeu que estava livre e deu duas voltas acima da minha cabeça, antes de escolher um lugar no tronco da árvore para apreciar a nova paisagem. Nova mais ou menos, porque voltou ao jardim de onde saiu lagarta, depois de passar dois meses rodeada pelos livros do escritório. É como a história dos adultos que voltam (transformados) à casa onde nasceram depois de passar um tempo estudando na cidade grande.

No final daquele mesmo dia mais alguém nasceu no borboletário, mas dessa vez com uma história um pouco complicada. Mariposa número 2 teve problemas durante a transformação e saiu da pupa com má formação da asa esquerda. Acontece nas melhores famílias, inclusive na das saturniidae.


Ainda assim a vida continua, por isso, mesmo com sérios problemas para voar ela também foi solta no jardim e vai se virar como pode.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Como evitar o ressecamento de vasos pendentes. Ou: usando a sacolinha plástica para o bem


Nos objetos do jardim, sempre preferi materiais rústicos e naturais aos plásticos e artificiais. Sei lá, acho que eles têm mais a ver com plantas, natureza, com o "visual botânico", digamos assim. Apesar de já ter comprovado alguns benefícios dos vasos plásticos em relação aos de barro e os de fibras orgânicas, não consigo conviver com aquele visual preto brilhante e nem com os marrons que imitam barro.

Gosto mesmo quando aquele avermelhado da terracota vai ganhando manchas de umidade, e quando o xaxim e a fibra de coco ficam esverdeados de musgo. Tenho sempre a impressão de que ali se forma um micro-bioma, um ambiente cheio de vida espontânea que abriga seres microscópios que eu não vejo mas que estão interagindo com a minha planta. E estão mesmo.

Só que qualquer pessoa com um mínimo de prática com plantas já percebeu que tanto os vasos de barro quanto os de fibras naturais secam muito mais rápido que os de plástico. Se o tempo está quente, seco demais ou ventando, não há rega que dure. Você molha num dia e logo sua planta já te pede mais água. 

Isso acontece porque esses materiais são porosos e permitem que a umidade da terra vá embora facilmente. Às vezes, se estão secos demais, eles funcionam até como esponja, absorvendo a água que deveria ficar na terra, disponível para as raízes. Se você adora regar plantas, tem poucos vasos porosos ou muito tempo disponível, tudo bem. Mas se tempo ou disciplina são artigos raros na sua vida, é batata: suas consciência está sempre pesada porque suas plantas estão secas e não tão bonitas quanto poderiam estar. Assim era eu.

Mas um dia deu os "cinco minutos" e eu combinei comigo mesma que reformaria todos os vasos, trocando a terra antiga por uma novinha e adubada com húmus ou esterco e aproveitaria o embalo pra pintar todos por dentro com impermeabilizante. Falei sobre isso aqui.

Ainda estou nesse movimento, reformando aos poucos os muitos vasos de barro. Só na hortinha de temperos são quinze. No entorno da casa tem outros quinze, mais ou menos. Falta um tanto pra reformar mas tudo bem, é atividade relax, sem data marcada pra terminar.

Só que além dos de barro tenho mais quatro ou cinco de fibra de coco, pendurados, com plantas pendentes, e finalmente de um modelo que eu gosto. Meus preferidos de pendurar eram os de xaxim, feitos a partir do tronco de uma planta nativa do Brasil que se chama Dicksonia sellowiana - nome popular: samambaiaçú. Acontece que depois de muitos anos de extração descontrolada dessa planta, a comercialização dos vasos de xaxim foi proibida para evitar a extinção da espécie, já que para produzir os vasos mata-se o samambaiaçú e nunca houve a preocupação de plantios para reposição. Mas isso é história pra um outro post.

Diante da proibição do xaxim, começaram a aparecer no mercado outras opções de vasos de fibra natural, e certamente os que mais se estabeleceram foram os modelos feitos de fibra de coco. Existem diversas tecnologias de produção e diversos modelos de vasos, mas em todos os casos existe o mesmo problema de ressecamento da terra, assim como acontece nos vasos de barro. Só que os de fibra não dá pra pintar por dentro. 

A solução que encontrei foi forrá-los com uma sacolinha plástico, que faz as vezes da tinta impermeabilizante. Qualquer sacolinha serve, desde que não seja de plástico biodegradável, senão em alguns meses ela se decompõe. É importante encontrar uma sacolinha do mesmo tamanho ou um pouco maior que a parte interna do vaso, pra que a forração fique bem ajustada, e fazer um ou dois furos no fundo, pra que o excesso de água possa pingar para fora.


Neste caso minha primeira opção de sacolinha (na foto acima) ficou um pouco pequena, então acabei trocando por outra maior.


Primeiro abri a sacolinha dentro do vaso e depois cortei a parte das alças um pouco abaixo das bordas da fibra, pra que o plástico não fique aparecendo depois de tudo pronto.


Colocar um pouco de terra no fundo ajuda a fazer a sacolinha parar quieta no lugar. Assim fica mais fácil fazer o corte das beiradas.

Depois é só continuar com o jeito normal de montar vasos: um tanto de terra no fundo, o torrão com a planta e mais terra em volta e em cima para preencher todo o espaço. E assim você tem um vaso de fibra de coco que mantém a umidade da terra como um vaso de plástico. Bingo!

Obs: No caso de vasos pendentes eu não costumo fazer a camada de drenagem abaixo da terra (veja aqui), já que pelo furo do fundo a água pinga livre, sem obstáculos.