quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Estação seca e sachês de cânfora ou Faça do limão uma limonada


Sim, está seco demais, por isso a gente dorme mal, sente a garganta pegar, tem dor de cabeça no final do dia, os lábios racham, a pele repuxa e mais um monte de sintomas e reclamações. Mas também é preciso lembrar que essa é uma fase mais do que normal no ciclo das estações do ano e que tem função importante na vida das plantas. É com a chegada da seca que caem as folhas velhas de diversas espécies de árvores, para que venham as flores, as sementes e depois as novas folhas. E quem tem um pouco de prática com orquídeas sabe que algumas espécies só florescem depois de um stress hídrico, ou seja, seca prolongada.

Claro que o fato de conhecer esses detalhes não diminui o desconforto diário dessa época do ano, mas e se, já que não há muito a fazer, tentarmos aproveitar o lado bom da coisa?

É tempo de tirar proveito do ar seco e abrir armários, colocar colchões, travesseiros e cobertores ao sol e lavar tênis e tapetes, coisas chatas de secar quando o tempo não está esturricando.
Uma boa faxina sempre cai bem, se não pelo prazer de arrumar e renovar, ao menos pela curtição do resultado final. Além disso, é sempre uma oportunidade de descobrir coisas que você nem se lembrava mais que tinha e selecionar o que é realmente importante que fique. O resto pode ser passado adiante, para fazer parte da vida de outras pessoas.

E no final da organização, para manter brocas, traças, formigas e outros insetos afastados e arrematar com um charminho, espalhe pelas gavetas e armários pequenos sachês de cânfora, que substitui com eficiência (e perfume muito melhor!) a fedida naftalina.

A cânfora tem aquele aroma inconfundível de creme para massagem muscular. É extraída da Cinnamomum camphora, árvore nativa do Oriente popularmente conhecida como canforeira que faz parte da família botância Lauraceae, a mesma do louro e da canela, utilizados nas cozinhas do mundo inteiro.
Normalmente encontro tabletes de cânfora a venda em farmácias, mas por algum motivo misterioso é comum que em certas épocas ela desapareça do mercado. Já ouvi dizer que encontra-se também em lojas de produtos médicos, daquelas que vendem de material cirúrgico a equipamentos para fisioterapia.

Gosto de embalar a cânfora em retalhinhos de tecido, desses que a gente tem pena de jogar fora. Uso um cd como molde e corto o círculo cerca de 1 cm além do risco. Para amarrar serve qualquer barbante ou fitinha, também desses que a gente fica guardando sem saber bem para que. Taí a utilidade.
O importante é que seja coisa simples e rápida de fazer, pra não tomar muito tempo e você acabar achando que não vale o trabalho.

E não se assuste quando, daqui a alguns meses, você descobrir que seus sachês estão vazios. A cânfora é volátil e acaba desaparecendo por completo.
Hora de fazer tudo de novo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Paina para dar e vender

Uma encomenda de 200 quilos de sementes de paineira rosa (Chorisia speciosa) nos colocou para trabalhar a valer beneficiando frutos; há semanas não se faz outra coisa. Uma equipe de coletores percorreu cidades e estradas no entorno de Holambra e Campinas, e conforme lotava o carro de frutos vinha para cá descarregá-los. Chegamos a ter 2.000 deles de uma só vez, esparramados num terraço secando ao sol.

Das visitas que vez ou outra apareceram, ouvimos "Isso é coco? Abacate? Cacau?"
Nada disso, esse é o fruto da paineira. 
Mas é fácil entender o estranhamento, porque não é coisa comum de se ver por aí. Na vida natural, lá na árvore, os frutos nem chegam a cair inteiros porque a espécie inventou um jeito bem bonito de se propagar. Ainda penduradas lá no alto as cascas racham, os frutos se abrem e expõem a paina, um tipo de algodão bem leve que voa ao vento, cada tufinho carregando uma semente.
Mas tivemos de nos meter no meio desse ciclo, senão não existe plantio para reflorestamento, então...

Quando alguns frutos da paineira começam a se abrir naturalmente nos galhos, quer dizer que os outros já estão quase prontos, então coleta-se os ainda fechados com um gancho na ponta de uma vara. E sai de baixo que se cair na cabeça machuca. Cada um tem, em média, 300 gramas. Mais a aceleração da gravidade... 


Depois de alguns dias no sol chega a hora de pisar nos frutos, e aqueles que estão no ponto de abrir fazem um croc debaixo do pé. Cuidado nessa hora: o croc vicia e você não quer mais parar de pisar em frutos. É como estourar plástico-bolha. E não adianta querer apressar a coisa e pisar mais forte para forçar o croc; as sementes dos frutos que não amadureceram o suficiente são brancas e não germinam, enquanto que nos bem maduros elas são escuras, quase pretas.


Feito o croc, a casca se racha e o miolo está solto, com a paina ainda úmida e bem compactada. Parece um cérebro em forma de espiga de milho.


Esse é o ponto de abrir o miolo úmido e tirar as sementes...


...porque se deixar passar algumas horas a paina começa a secar, estufar e o que antes era compacto vai virando um imenso tufo que se desmancha. Quando isso acontece fica bem mais difícil tirar as sementes, que se embaraçam nas fibras brancas e leves, já querendo voar com elas.

Miolos ainda fechados, secando e estufando

A paina que sobra depois da retirada das sementes é um excelente enchimento para travesseiros, almofadas, bonecas de pano e o que mais você quiser fazer de fofo e gordinho. É a versão natural (e original) do plumante, fibra industrializada. Nos idos tempos em que as mulheres "só" cuidavam da casa, dos filhos, da comida e da costura da roupa de toda a família, eram recheados de paina os objetos fofos do lar.
Por ser nativa do Brasil, a paineira está presente na história de sítios e fazendas pelo país a fora, e além de abundante, cresce rápido e produz muitos frutos, então fornece paina para dar e vender. Pergunte para uma avó, tia ou conhecida de mais idade.

Durante a retirada das sementes fomos desmanchando os "gomos" dos frutos, que têm organização parecida com a de uma laranja: uma parte de fibra e uma divisória, uma fibra e uma divisória. Assim as divisórias já foram sendo descartadas e sobrou só a paina, limpinha, que depois de algumas horas de sol perdeu a umidade, soltou as fibras, cresceu e ficou pronta para virar recheio.

Paina limpa mas ainda úmida e compactada
Cabinhos dos frutos e películas divisórias dos "gomos"
Paina seca com as fibras soltas, bem fofas
Sementes prontas para o plantio

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Em breve, lindas cenouras tortas e coloridas!



Ganhei da Mari, irmã cozinheira, um pacotinho de sementes de cenouras coloridas que é simplesmente o máximo. A seleção de espécies se chama Kaleidoscope Mix e você pode passar vontade visitando o site da Burpee, que tem sementes de hortaliças incríveis, mas não faça pedidos pela internet porque suas sementes serão barradas na fronteira do Brasil pela inspeção sanitária. Eu já tentei. As minhas vieram escondidas numa mala de viagem, mas, por favor, não conte isso para ninguém; é um segredo de irmãs.

Esperei chegar agosto (mês adequado conforme a recomendação do verso da embalagem), preparei um canteiro especial, afofei com capricho a terra adubada e fiz a semeadura. A cartilha internacional do plantio de cenouras é clara: faça pequenas covas no canteiro (1 cm de profundidade) com espaçamento de 30 cm entre elas e coloque de 2 a 5 sementes dentro de cada uma. Mantenha a terra úmida e, depois que os brotos tiverem cerca de 5 cm de altura, faça o raleio arrancando as mudas pequenas e deixando ficar sempre a maior de cada cova.

Até a parte da semeadura tudo bem, foi fácil, mas os brotos começaram a aparecer aos montes, mostrando que praticamente todas as sementes germinaram, e quem disse que agora tenho coragem de fazer o tal do raleio? E se, na hora de escolher quais arrancar, eu estiver descartando justamente as mais lindas? E se não sobrar nenhuma roxa?


Passei dias olhando aquilo tentando tomar coragem, mas que nada. E aí decidi que só dormiria tranquila se salvasse todas, então agora o progama dos finais de tarde é... transplante! Espero o sol baixar - porque apesar de estarmos no inverno os dias têm sido quentes - rego bastante o canteiro para hidratar bem as mudas antes da "mudança" e, com um palito fino, vou soltando cada uma com cuidado, numa espécie de microcirurgia delicada. Numa nova cova bem funda faço o possível para ajeitá-las sem danos, e aí vamos ver.

Sim, eu sei, não existe transplantar cenouras, mesmo brotinhos pequenos, porque é praticamente impossível conseguir reposicionar as raízes tão organizadas e retinhas como elas nasceram no lugar original, então é enorme a chance de cenouras tortas ou mesmo dobradas, mas... e daí? Dentro de 50 dias serão duas as surpresas: a cor e o formato de cada uma. Certamente vai ser bem divertido!

domingo, 19 de agosto de 2012

Sobre enterrar sementes



Sementes são pacotinhos recheados de energia de vida e informações genéticas, e foram sendo aprimoradas ao longo de milhares de anos para perpetuar, da maneira mais eficiente possível, a espécie da qual carregam traços e características.
Quando estão livres na natureza, todo o meio ambiente se encarrega de ajudá-las a exercer sua função: ventos levam para longe as mais leves, pássaros carregam no bico e no sistema digestivo as sementes dos frutos que lhes serviram de alimento, algumas são arremessadas pelo estouro do fruto onde foram formadas, outras são transportadas pelas águas... Assim, cada uma segue seu curso natural e, em solo e condições favoráveis, dá início a uma nova vida.

Mas, e quando somos nós os responsáveis por fazê-las germinar, como lidar com cada tipo? Onde semear? Quanto enterrar?

Uma regra muito útil no preparo de sementeiras ensina que cada semente deve ser enterrada em profunidade equivalente ao seu tamanho "deitada" - ou seja, na posição em que fica naturalmente quando cai no chão. Claro que esse cálculo não é muito fácil quando se trata de sementes bem pequenas, mas no caso das grandes, veja:


A semente da Seringueira (Hevea brasiliensis), que tem 1,7 cm de espessura na sua menor dimensão, deve ser enterrada a 1,7 cm de profunidade.


A semente do Guapuruvú (Schyzolobium parahiba), também chamada de ficheira por ser bem achatadinha, deve ser enterrada sob uma camada fina de terra.


Claro que a natureza não obedece regra nenhuma e muitas sementes germinam sem nem mesmo terem sido cobertas de terra, mas essa é uma boa referência para não correr o risco de enterrar demais uma semente, sob mais peso do que ela poderia suportar na hora da germinação. Afinal, nascer não é tarefa fácil nem para os vegetais, e sempre exige algum esforço:





No caso das sementes bem pequenas, espalhá-las sobre a superfície da sementeira e peneirar uma camadinha fina de terra por cima já é mais do que o suficiente para que todas se mantenham firmes no lugar e não sejam levadas pelo vento e pela água das regas, além de permanecerem úmidas por mais tempo, já que expostas secariam muito rapidamente.

Na hora de regar, chuvinha fina feita com borrifador para as sementes pequenas, e volume um pouco maior de água, com regador ou mangueira, para as sementes maiores e mais enterradas. Diariamente.

E como já falei neste outro post  sobre sementeiras, o tempo de germinação pode variar de quatro dias a vários meses, dependendo da planta, por isso é interessante se informar a respeito do que você está semeando, para não sofrer por antecipação achando que não vai dar certo e nem desistir antes da hora.
Boa sorte!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Come-se presentes

Acima à esquerda, mangaritos. À direita carás-moela e abaixo orelhas de padre

A teoria dos 6 graus de separação foi elaborada por pesquisadores da Microsoft e diz que todas as pessoas do mundo estão separadas umas das outras por apenas 6 laços de amizade, mas a julgar pela quantidade de coincidências que tenho vivido, certamente essa média vem caindo.

Na última segunda-feira tive a oportunidade de conhecer a Neide, do blog Come-se, atravessando a ponte de um único grau de separação entre nós. Fui levar para ela, em São Paulo, uma muda de limão Yuzu mandada pelo Edilson Giacon, do viveiro Ciprest.
Do Edilson sou cliente fiel; é um dos nomes mais conhecidos no ramo do cultivo e comércio de plantas especiais no Brasil. Se ele não conhece a espécie ou não sabe onde encontrar, é porque ela não existe - ao menos no país. E da Neide sou leitora assídua e cada vez mais admiradora; no blog aprendo sobre cozinha criativa, saudável, sem preconceitos e conheço novos ingredientes, além de escrever melhor só por ler o que ela publica. Texto bom tem esse poder. E, pra melhorar, a danada agora anda fazendo experiências no mundo das plantas, curtindo belezas e curiosidades das árvores e sementes que ganha ou encontra por aí.

Neide mora numa casa linda, toda amarelinha, e logo no início já vem se desculpando que o quintal está uma bagunça, que ela não é uma boa anfitriã... Mas é tudo modéstia, porque o quintal cheio de potinhos com mudas e sementes germinando não podia ser mais interessante, sem falar no chá com pão e geleia caseiros que convidam a passar o resto do dia lá.
Durante uma hora e meia que nem vi passar trocamos histórias, curiosidades, experiências, descobrimos mais amigos em comum e eu, que era só portadora de um presente, saí com as mãos cheias de coisas novas a experimentar. Ganhei mangaritos, carás-moela e orelhas de padre, que nunca comi nem plantei mas conheço das páginas do Come-se. Diversão garantida para os próximos meses, plantando e comendo meus presentes.

 E que seleto grupo de amigos e conhecidos, o meu.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Seminário sobre compostagem na cidade de São Paulo


A cidade de São Paulo está arregaçando as mangas e realiza, nesta sexta-feira 10 de agosto, um seminário sobre compostagem de resíduos orgânicos. Ótima notícia, porque está passando da hora de tratar com mais consciência a questão do lixo. Mas não basta que só a administração municipal mexa seus pauzinhos, é preciso que toda a população se engaje na causa e participe de verdade, com conhecimento e plena responsabilidade.

Você pode começar a fazer sua parte indo ao seminário. É uma pena que seja num dia de semana, mas se puder comparecer, aproveite; a oportunidade é das melhores para assistir profissionais de órgãos públicos e gente que agita o terceiro setor trocando experiências e analisando a melhor maneira de colocar a mão na massa. Afinal, em algum momento a coisa tem que começar, e tomara que seja já!
O evento é gratuito mas é necessário inscrever-se. Clique aqui e preencha a ficha para formalizar sua presença.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Os 5 primeiros passos da formiguinha consciente


As duas perguntas que mais tenho respondido em entrevistas para matérias de jornais e revistas são:
  • Quais são as atitudes sustentáveis imprescindíveis que as pessoas devem adotar urgentemente?
  • Como cada um de nós pode fazer a sua parte?
Convicta que estou, respondo sempre começando com:

Antes de mais nada, é fundamental sentir-se parte de um todo (e não dono de tudo) e entender que temos responsabilidades para com nossas ações, porque todas elas têm efeitos e consequências no meio ambiente. É preciso ter consciência da necessidade de mudança de atitude para então comprometer-se com ela, porque sem um sério comprometimento, logo a falta de hábito, algumas dificuldades e um pouco de preguiça põem a perder toda a disposição de mudar.

Depois, faço uma listinha básica de atitudes urgentes que devem ser adotadas por cada formiguinha do planeta:

  • CONSUMO CONSCIENTE. O valor em dinheiro não pode ser mais o único critério de desempate na escolha de bens de consumo. É preciso avaliar também, no momento da compra, critérios de produção, escolha de matéria-prima, eficiência e aproveitamento do material da embalagem, reciclabilidade e a real necessidade do produto
  • RACIONALIZAÇÃO DAS COMPRAS DE ALIMENTO. Mais da metade do lixo produzido no Brasil é composto por matéria orgânica, e grande parte dela é de restos de alimento. Estima-se que residências e restaurantes joguem fora cerca de 40% de toda a comida que adquirem. É importante fazer compras menores, mais planejadas e aproveitar melhor os produtos
  • USO RACIONAL DE ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. Pensar na melhor maneira de usar a água cada vez que se abre a torneira, apagar luzes e desligar equipamentos que não estão sendo utilizados são os primeiros passos para a economia desses recursos. Substituir lâmpadas incandescentes e aparelhos de alto consumo de energia elétrica também são ações importantes
  • SEPARAÇÃO DE MATERIAIS RECICLÁVEIS. Empenho na separação do que pode ser reciclado deve virar um hábito. É cada vez maior o número de usinas de reciclagem de papel, vidro, metal e plástico, esses materiais têm grande valor no mercado e a população deve fazer a sua parte encaminhando corretamente embalagens e produtos usados, além de cobrar dos municípios a coleta seletiva de lixo
  • MUDANÇA DE HÁBITOS DE TRANSPORTE. Abrir mão do automóvel e usar o transporte público pelo menos alguns dias da semana pode ajudar bastante a redução do uso de combustíveis fósseis e consequentemente as emissões de gás carbônico nas cidades. É comum que a população que se locomove diariamente de carro tenha resistências com relação a essa mudança por questões de praticidade e conforto, mas em alguns casos é bastante frequente que, depois de experimentá-la, descubra-se que o transporte público não é tão ruim e incômodo quanto se pensava

Para quem não está acostumado com nenhuma das atitudes sugeridas acima esse pode parecer um pacotão difícil de carregar, mas uma coisa é certa: uma vez que as mudanças de hábitos se tornem atitudes normais e estejam completamente inseridas no dia a dia, é um caminho sem volta.
Ou você tem algum conhecido ex-consciente e ex-comprometido?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Inverno é época de pragas nas plantas

Dois tipos de insetos (ou machos e fêmeas?) em folha de Imbê

Inverno é época de pragas nas plantas e não tem jeito, sempre da um pouco de trabalho. Às vezes os bichos são incríveis, bonitos mesmo, mas se não removê-los você vai ter suas plantas danificadas e, em algunas casos, pode até perdê-las. Por isso, quanto antes você interromper o ataque, melhor.

Insetos em folha de alface

Árvores, plantas ornamentais e também as comestíveis estão sujeitas a ataques de pragas durante todo o ano, mas o inverno é a época de maior incidência de infestações porque é quando os vegetais entram em um período de repouso - também chamado de dormência - que os deixa mais suscetíveis. Situações de baixa oferta de água, pouca luz ou falta de nutrientes na terra também fazem com que as folhas fiquem mais moles e frágeis e ofereçam menor resistência às pragas.

Perceber que algo estranho está acontecendo não é difícil; basta uma inspeção atenta e você logo encontra pequenos bichinhos - estáticos ou que se locomovem - e manchas de cores variadas que antes não existiam. Teias, pintinhas pretas ou brancas e substâncias estranhas nas folhas também são sinais de praga. E atenção: na maior parte das vezes o lado superior da folha ainda parece bem mas o "verso" pode já estar completamente infestado, por isso sempre inspecione as folhas dos dois lados.

Insetos na face inferior da folha de Imbê

Mas depois de identificar o problema, vem a questão: como resolver?
É fácil encontrar no mercado diversos venenos e inseticidas que dão conta de praticamente todos os tipos de praga num piscar de olhos, mas... e quanto à toxidade? Certamente em grande parte deles você encontrará o desenho de um caveira - símbolo incontestável de perigo - e também as recomendações de usar luvas ao aplicar o produto e manter crianças e animais domésticos afastados. Alguns deles ainda advertem que não podem ser aplicados em plantas comestíveis.
Depois de tantos alertas, sobra coragem para usar um produto desses?

Que tal então abraçar a causa orgânica e passar a consumir apenas inseticidas e repelentes que não agridam a saúde da sua casa, da sua família e das suas plantas?

Conheça as principais pragas de inverno, seus estragos e soluções para combatê-las:
  • Ácaros: não podem ser vistos a olho nu mas normalmente atacam a parte inferior das folhas deixando-as com cor de ferrugem. Se apenas algumas folhas estiverem comprometidas, corte-as fora. Se toda a planta estiver atacada, combata com pulverizações de calda bordaleza a cada 15 dias 
  • Fungos: se alastram na superfície das folhas interferindo em sua coloração e causando pintinhas brancas. Costumam atacar quando a planta está em locais de menos luz do que precisa para se manter saudável. Remova as folhas danificadas e mude a planta para um local mais iluminado. Em casos extremos, calda bordaleza a cada 15 dias também pode ajudar.
Folha de manjericão com fungos
  • Pulgões: podem ser de cor branca, cinza ou preta. Fixam-se em caules e folhas novas para sugar a seiva da planta. A natureza oferece, como inimigo natural do pulgão, as joaninhas. Vorazes devoradoras desse tipo de praga, elas chegam a comer centenas deles por dia. Por isso, se você usar um veneno, matará, além dos pulgões, essas charmosas bolotinhas vermelhas. Opte então por combater a praga com um jato forte de água, que pode ser de borrifador ou de mangueira de jardim. Assim eles se soltam das folhas e você preserva as joaninhas. Só em último caso, de plantas muito ameaçadas, pulverize com óleo de neem. Além das joaninhas, outro inseto que aparece nas plantas junto com os pulgões são as formigas, que se alimentam do líquido doce excretado por eles. Mas não se preocupe: acabando com os pulgões, automaticamente as formigas vão embora.
Pulgões pretos em botões de flor de acerola
  • Pulgões cerosos: recebem este nome porque excretam uma substância fofa e cerosa de cor branca acinzentada. São frequentes no cactos. Para acabar com eles (que são mais grudentos que os outros pulgões e não saem com jatos de água), pulverize toda a planta com óleo de neem.
  • Grilos: na maior parte das vezes os grilos comem as folhas das plantas pelo centro, abrindo furos. É fácil identificar. O controle deve ser feito por catação manual ou com óleo de neem, que age como repelente.
Folha de Peixinho atacada por grilos
  • Lagartas: diferente dos grilos, as lagartas comem as folhas pelas beiradas, deixando nítidas marcas de mordida. A forma mais orgânica e natural de acabar com elas é a catação manual. Como algumas podem queimar, use luvas para tirá-las das folhas, uma a uma. Outra opção é borrifar toda a planta com uma solução aquosa feita à base de Bacillus thuringiensis, uma bactéria que entra no organismo das lagartas e causa sua morte. Vêm em forma de um pó fino vendido em envelopes nas lojas de jardinagem e paisagismo. Mas independente do método de combate escolhido, seja rápido, porque numa grande infestação as lagartas podem acabar com sua planta da noite para o dia.
Folha de Tumbergia comida por lagarta
  • Mosca minadora: dos ovos de uma mosca nascem lagartas que andam pelas folhas cavando túneis para comer a polpa e a seiva da planta. É muito comum no manjericão. A mancha causada pela mosca minadora é muito característica e frequentemente tem forma de flor. Remova as folhas atacadas e pulverize óleo de neem em toda a planta, por cima e por baixo das folhas, uma vez por semana por quatro semanas consecutivas.
Mosca minadora no manjericão
  • Cochonilhas verdes, farinosas, de carapaça e outras: sugam a seiva das plantas afetando seu crescimento e, muitas vezes, retorcendo suas folhas. Para remover as cochoninhas, esfregue delicadamente na superfície das folhas um pano umedecido com óleo de neem. Se estiverem muito grudadas, como as de carapaça, utilize a ponta de um palito. Depois, pulverize toda a planta com óleo de neem para previnir a reinfestação.
Cochonilhas farinosas em folha de Alocasia
Cochonilhas de carapaça em folha de Ráfia

O óleo de neem é um inseticida natural resultado da prensagem das sementes da Azadirachta indica, uma árvore originária da India, e pode ser usado com segurança em plantas ornamentais e comestíveis por ser inofensivo à saúde de adultos, crianças e animais domésticos. Seu uso é uma das formas de combate a pragas permitida em todo o mundo pela cartilha de cultivo orgânico, e por essa razão deve ser sempre a primeira opção na tentativa de eliminar insetos das plantas domésticas.

O óleo de neem diluído em água (segundo as instruções da embalagem) também pode ser usado como forma de prevenção a pragas e para dar brilho nas folhas das plantas ornamentais.

Folha de Alocasia sanderiana tratada com óleo de neem

De qualquer maneira, para prevenir pragas e doenças nada é mais garantido do que manter suas plantas sempre saudáveis, com regas e adubações corretas e em local de luz adequada. Afinal, no fundo todos os organismos vivos funcionam da mesma maneira: os fortes e sadios sempre são mais resistentes.

sábado, 21 de julho de 2012

Os 50 +: conhecimento e consciência


Segunda indicação consecutiva de livro obrigatório para sua biblioteca verde, e eu posso justificar: para começar, o conhecimento transmitido pelos livros pode ser a salvação da lavoura (metafórica e também literalmente). E depois, a leitura é parte importantíssima do dever de casa de todos nós, então, que ela seja de qualidade.

O dilema é: qual dos dois ler primeiro? Comprei Primavera silenciosa e Os 50 + importantes livros em sustentabilidade no mesmo dia e agora não consigo me decidir, mesmo depois de ter lido as duas introduções. Gostaria então de dividir minha dúvida e, quem sabe, contagiar você também com a curiosidade pela leitura desses dois grandes livros. No post anterior já dei pinceladas sobre Primavera silenciosa, então pincelo a seguir "Os 50 +".

O Instituto Jatobás e a Editora Peirópolis prestaram aos leitores de língua portuguesa o grande serviço de publicar no Brasil a tradução de The top 50 sustainability books, livro editado originalmente em inglês pela University of Cambridge. Como já diz o título, a publicação reúne 50 livros com algumas das melhores análises dos desafios globais, sociais, ambientais e éticos da atualidade, escolhidos após uma enquete realizada com mais de 3 mil líderes e ex-alunos do Programa de Sustentabilidade da Universidade de Cambridge.

Cada um dos 50 + tem, resumidas em algumas páginas, suas ideias-chave, a sinopse, os tópicos mais importantes e um breve currículo do autor, o que é uma mão na roda para quem quer estudar, busca fontes confiáveis de informação e não sabe bem por onde começar. Estão entre as indicações alguns livros já conhecidíssimos no Brasil, como:

- o obrigatório Primavera silenciosa, de Rachel Carson
- O ambientalista cético, de Bjorn Lomborg
- O banqueiro dos pobres, de Muhammad Yunus
- Uma verdade inconveniente, de Al Gore
- Virando a própria mesa, do brasileiro Ricardo Semler

e outros que ainda nem tem edição em português, como:

- A fate worse than debt, de Susan George
- Staying alive, de Vandana Shiva
- When the rivers run dry, de Fred Pearce
- The river runs black, de Elizabeth C. Economy

Evidentemente a intenção do livro não é que, lendo os resumos, você ache que já entendeu a história toda, mas sim que tenha sua curiosidade e desejo de conhecimento aguçados pelos títulos e ideias principais de cada obra. Assim, de posse de informações importantes, você poderá escollher sua leitura e aprender como fazer melhor ainda a sua parte.

Porque como diz Betty Feffer - presidente do Instituto Jatobás - na apresentação do livro, "o maior desafio que a humanidade enfrenta, nesta fase de transição da evolução, é o desafio interno do homem: podemos nos tornar mais conscientes?".

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Estreando com um clássico


O De Verde Casa está de visual novo, e nada melhor que estrear com Rachel Carson, para dar sorte. A pesquisadora americana é uma espécie de mãe para os ambientalistas de todo o mundo. Seu livro Primavera silenciosa, lançado em 1962, deu início a uma verdadeira revolução em defesa do meio ambiente que resultou na proibição do DDT, inseticida cancerígeno, e instigou mudanças históricas nas leis que dizem respeito aos recursos naturais.

A preocupação apaixonada de Carson com o futuro do planeta reverberou poderosamente por todo o mundo, e seu livro foi determinante para o lançamento do movimento ambientalista. É leitura obrigatória para todos os que querem entender melhor como era o mundo antes da humanidade conhecer suas responsabilidades ambientais e quais foram os efeitos dos erros cometidos pela falta de consciência ecológica dos governos. Cheio de histórias e embasamento científico, o texto conta os erros e acertos ao longo dos tempos e, apesar dos 50 anos de idade, é absolutamente atual. Raramente um único livro altera o curso da história, mas, sem nenhum exagero, Primavera silenciosa fez exatamente isso.

É mais um daqueles títulos que fura a fila de leituras da mesa de cabeceira, e com toda razão.