quinta-feira, 21 de junho de 2012

Plena época de ipês cor de rosa

Por acaso, andando por aí nas últimas semanas, você chegou a reparar num show de cor de rosa pelas ruas?
Sim, porque posso apostar que, se você mora no Brasil, sua cidade abriga pelo menos um ipê rosa. Portanto, se você ainda não percebeu nada, pare de olhar só para baixo e preste atenção ao seu redor.
Estamos em plena época de floração dos ipês cor de rosa, e as quatro espécies desta linda árvore têm dado espetáculo.
Tabebuia pentaphylla, Tabebuia avellanedae, Tabebuia heptaphylla e Tabebuia impetiginosa são os nomes científicos dos ipês cor de rosa mais encontrados por todo o país, mas se você não está interessado em idenficação de espécies e olha apenas com olhos de admirar, aproveite, porque a hora é agora: eles florescem entre o final do outono e o início do inverno.

Aqui no sítio a floração durou três semanas e está quase acabando, mas passar alguns momentos embaixo das árvores ainda é uma oportunidade de curtir beija-flores se alimentando de néctar aos montes, sem falar na chuva de flores, noite e dia, até que todas caiam. É gostoso ouvir o ploc quando batem no chão e ver que já esconderam o gramado, formando um tapete que dá pena de pisar.

E quando todo o colorido tiver acabado, as árvores estarão praticamente peladas, inclusive sem as folhas. Isso acontece porque os ipês são árvores decíduas, também chamadas de caducas ou caducifólias, ou seja, perdem todas as folhas uma vez por ano. 

Depois da florada vem a fase a reprodutiva: você verá nascerem, penduradas nos galhos, vagens compridas que, quando secas, se abrirão para entregar ao vento a tarefa de espalhar por aí as finíssimas sementes aladas (sementes com abas feitas de uma pele muito fininha que, no sopro do vento, as faz voar).
Depois disso, lá pelo mês de setembro, tudo começa outra vez. De uma hora pra outra, quando você se der conta, os ipês cor de rosa estarão repletos de folhas de novo. Quando tiver oportunidade de chegar perto de uma dessas árvores, repare que suas folhas são compostas palmadas, como as da foto abaixo, formadas por folíolos (de 5 a 7), e têm o formato de uma mão com os dedos abertos.


Então seja bem vindo ao mundo dos ipês.
E fique ligado porque logo vem mais. Em seguida aos ipês cor de rosa florescem os ipês amarelos, e depois deles vêm os brancos, que quem bobear perde: a florada dura só um ou dois dias.
E assim você vai aprendendo a identificar as árvores da sua região e se deliciando com belezas naturais, que muitas vezes estão bem acima das nossas cabeças mas passam despercebidas.
Não perca, numa esquina próxima a você!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Fungos e cogumelos no primeiro dia do inverno



Chove sem parar nesta verde casa. Os 50 mm que já caíram desde a madrugada (inéditos para esta época do ano) impossibilitam grande parte do trabalho lá fora, que é onde acontece a maior parte das atividades aqui.
Mas sempre que está ruim para uns está bom para outros, então pelo menos consola saber que as plantas e os cogumelos hoje comemoram.
E que festa!
O chapelão da foto acima abriu com força seus incríveis 30 cm de aba, enquanto outros, mais modestos no tamanho, capricham no colorido.


E tem também os coletivos, que mantém a família todo junta pra garantir um calorzinho, afinal de contas, nesse primeiro dia de inverno, além de chuva já faz friiiiiiiio.


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Chuveiro ecológico

O De Verde Casa foi procurado pela Agência Sebrae de Notícias para colaborar na divulgação de ideias e invenções sustentáveis, daquelas que fazem a diferença, e claro que se é para mostrar iniciativas capazes de mudar o mundo, este quintal está sempre à disposição para parcerias, então lá vai:

Foto: aguardando informação de crédito

Chuveiro ecológico conquista mercado nacional
Equipamento a gás causa menos impacto ao meio ambiente e resolve problema de famílias que sofrem com falta de luz

Gabriela Flores

Brasília – Um chuveiro ecológico criado pelo mecânico Mauro Serra promete impacto menor nas fontes de água e energia e no bolso do consumidor. O produto, que usa gás para o aquecimento, gera economia de 1.000% em energia em relação ao similar elétrico. De pequeno porte, o chuveiro pode ser instalado em qualquer local, como residências, acampamentos, campings, trailers, embarcações, pesqueiros e até pendurado em uma árvore. O equipamento funciona por gravidade e pode ser alimentado, por exemplo, por uma garrafa PET.
Há dois anos, a novidade rendeu ao inventor e à mulher, a engenheira mecânica Jorgea Corrêa, o Prêmio Brasil de Meio Ambiente, concedido pelo Jornal do Brasil, com Apoio da Petrobrás e Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), na categoria Pequena e Micro Empresa.
Em 2008, o casal decidiu abrir a empresa ATA – ÁguaTerraAr, em Paraty (RJ), para vender o produto. A produção começou com quatro chuveiros e faturamento mensal médio de R$ 1,2 mil. Hoje, a empresa produz 40 peças por mês, vendidas por R$ 345,00 cada uma. O faturamento mensal pulou para R$ 10,3 mil.
Feito de cobre, alumínio, aço inox e ferro fundido, o chuveiro ecológico não consome eletricidade e a emissão de CO2 é quase nula. A regulagem da temperatura é feita pelo usuário, que pode variar do morno ao muito quente. O acendimento é manual, com fósforo, ou automático.

Benefícios
A economia de 1.000% no gasto com energia é possível porque o custo de manter o chuveiro a gás ligado é de R$ 0,53 por hora. Um similar convencional, aquecido a energia elétrica, custa R$ 5,30 para aquecer a água, no mesmo período.
O chuveiro ecológico pesa 3,2 kg. Não há necessidade de nenhuma obra para a instalação e não precisa de bateria ou pilha para o funcionamento do equipamento. De acordo com a engenheira Jorgea, o aparelho consome no máximo 120g/h de gás, o que equivale a um quarto do consumo dos aquecedores convencionais. “Um botijão de 13 kg dura, em média, de 120 a 150 dias com banhos diários de uma hora. E cada botijão equivale a dez árvores de médio porte em termos de produção energética. Seu uso evita a queima, no Brasil, de 3,5 bilhões de árvores por ano”, contabiliza. Jorgea conta que para alavancar o negócio procurou o Sebrae e hoje já vende o produto para dez estados brasileiros. “A instituição foi fundamental para o crescimento da minha empresa. Estamos com quatros novas invenções no forno para colocar no mercado”, adianta.

Rio+20
Há 40 anos, o Sebrae promove a competitividade e o desenvolvimento sustentável da micro e pequena empresa. Sustentabilidade é empreendedorismo, eficiência, inovação, gestão, lucro e responsabilidade social e ambiental. Por isso, o Sebrae é parceiro oficial da Rio+20.
O Sebrae representa 99,1% das empresas brasileiras, mais de 2 milhões de empreendedores individuais e 4,4 milhões de agricultores familiares: mais de 37 milhões de pessoas.

Para ler a notícia no site da agência, clique aqui.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Eucalyptus deglupta, a árvore dos seus desenhos de infância


Se você desenhava árvores coloridas quando era criança e se lembra de ouvir risadas de coleguinhas que diziam "não existe árvore desse jeito", esse post é para você.
Sim, sua árvore existe e se chama Eucalyptus deglupta (nome popular: Eucalipto arco-íris).
Eu vi, fotografei e posso jurar que é de verdade.

O Eucalipto arco-íris tem o tronco revestido por uma fina casca marrom que se desprende conforme a árvore cresce, revelando novas cascas multicoloridas de incrível efeito ornamental. As nuances de verde, amarelo, roxo, azul, laranja e rosa, entre outros tons, se tornam marrons ao amadurecer e se desprendem expondo novas cores, o que faz do tronco um espetáculo mutante, sempre com um novo colorido. É bonito demais.

A espécie é nativa da Nova Guiné, Indonésia e Filipinas, mas se adaptou muito bem ao clima do Brasil. Eu já comprei (e já plantei!) a minha, além de mais duas para dar de presente.
E você, quer brincar de colorir paisagens também?
Entre em contato com o Edilson Giacon, que produz o que há de mais especial no mundo das plantas, e encomende o seu, que chega rapidinho pelo correio.
E capriche na escolha do lugar de plantio. Fuja de postes, fiação elétrica, muros, construções e calçadas estreitas. O ideal é que a árvore seja plantada em uma boa área verde, um parque ou praça de grandes proporções, porque hoje ela é uma pequena e inofensiva muda, mas no futuro será uma grande árvore de 20 a 25 metros que de pé só trará felicidade, mas na horizontal...



sábado, 2 de junho de 2012

Sustentabilidade


Amanhã, domingo 3 de junho, as dicas, ideias e conceitos que você lê aqui no De Verde Casa serão tema de uma palestra que acontece entre os eventos da Virada Sustentável de São Paulo.
Estarei no Mercado Municipal da cidade, o Mercadão, para uma conversa sobre sustentabilidade no dia a dia, além de sugestões e demonstração de atitudes práticas e mudanças de hábitos. Venha aprender a fazer seu dever de casa!
A palestra é gratuita, você só precisa reservar seu lugar pelo telefone 3228-6363.

E ao longo de todo o fim de semana acontecerão também, no mesmo local e em toda a cidade, centenas de atividades voltadas ao tema sustentabilidade; vale a pena pesquisar na rede o que mais te interessa e conferir pessoalmente.
Maiores informações, clique aqui e consulte o site da Virada.

Quer uma sugestão? Aproveite para ir ao menos à Sabor de Fazenda, viveiro de ervas orgânicas na Vila Maria, que estará aberto no sábado e no domingo. Você pode participar de visitas monitoradas gratuitas para conhecer mais sobre temperos vivos, ervas e seus usos terapeuticos.
Participe!

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Comprinhas saudáveis


Até este domingo, dia 27 de maio, acontecem juntas na Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo, a Bio Brazil Fair (Feira internacional de produtos orgânicos e agroecologia) e a Natural Tech (Feira internacional de alimentação saudável, produtos naturais e saúde).

Estive lá ontem, com as queridas Silvia e Sabrina Jeha, da Sabor de Fazenda, e pude viver um pouco do alto astral e da empolgação dos expositores, que tem feito o evento melhorar a cada ano. O mercado de produtos naturais e alimentos produzidos com respeito ao meio ambiente só cresce, e a cada dia mais produtos interessantes estão à disposição de clientes também cada vez melhores: informados, exigentes e conscientes.

A entrada para as feiras é gratuita, e lá dentro você pode comprar desde ervas e alimentos orgânicos frescos até chás, óleos essenciais, cosméticos, diferentes tipos de arroz e castanhas, roupas de bebê, fraldas de pano, produtos de limpeza, livros e milhares de outros produtos para a casa, saúde e bem estar. A maioria dos estandes aceita cartões de crédito e débito, mas leve também dinheiro e algumas ecobags, porque é difícil resistir e deixar passar a oportunidade de experimentar coisas novas. Das 11 às 20 horas. Vale a pena!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Horta em vasos edição EXTRA - Baby folhas de beterraba

Quer mais uma sugestão de saladinha para plantar em vasos? 

Baby folhas de beterraba!

A maior parte de todos nós costuma desperdiçar metade da planta Beterraba (Beta sp.) achando que a única parte comestível da hortaliça é sua raiz tuberosa - aquela bolota bem vermelha -, mas quem gosta daquele sabor característico e já experimentou fazer salada com suas folhas só tem elogios. Sim, as folhas da beterraba são comestíveis, super nutritivas e têm gosto muito parecido com o da raiz. Basta lavá-las como qualquer outra folha, temperar com azeite e sal e nhac!, como diz a Neide, do Come-se.

Infelizmente não são todos os supermercados e feiras livres que vendem beterraba com a rama, mas se você tem procurado uma hortaliça bonita para produzir em vasos, encontrou.
É muito simples; certifique-se apenas de que você tem em casa um local onde o sol bata por pelo menos 4 horas todos os dias.
Você também vai precisar de:
- um vaso ou qualquer recipiente (furado no fundo) com no mínimo 20 cm de boca
- argila expandida ou pedras pequenas em quantidade suficiente para cobrir o fundo do vaso
- um pouco de areia ou manta de bidim
- terra adubada de boa qualidade
- sementes de beterraba (em boas lojas de jardinagem ou no site www.isla.com.br)
- um borrifador de água para fazer as regas

Primeiro, monte o vaso colocando as pedras no fundo, depois a manta de bidim ou a areia até cobrir as pedas e então complete o vaso até a boca com terra. Para um passo a passo com fotos, veja o post sobre a montagem da horta em vasos clicando aqui. 

Dê algumas batidinhas no vaso para que a terra se acomode bem e faça, na superfície, pequenos furos de 1 cm de profundidade com um pauzinho ou o dedo mindinho, por exemplo. Os furos devem ter cerca de 2 ou 3 cm de espaço entre eles.
Coloque uma semente dentro de cada furo e cubra-os com terra.
Borrife uma boa quantidade de água nessa primeira rega para ter certeza de que as sementes serão umedecidas, e daí em diante basta manter a umidade borrifando um pouco de água todos os dias. 

Dentro de uma semana, mais ou menos, você começará a ver folhinhas brotando. Continue regando diariamente e acompanhe o crescimento das suas mudinhas de beterraba pelo tempo que aguentar. Você poderá colhê-las ainda mini, para decorar um bonito arroz colorido ou uma salada de rabanetes, ou deixá-las crescer até atingirem 10 ou 12 cm de altura. A partir daí as mudas começarão a formar, na base do caule, a beterraba propriamente dita, e então é indicado colher de uma vez porque, com o espaçamento das sementes muito justinho, as raízes tuberosas não terão espaço para se formar e sua plantação vai entrar em colapso!
Numa plantação de beterrabas onde a intenção é deixar a planta desenvolver todo o seu ciclo e formar as bolotas, as sementes são plantadas com espaçamento de 10 cm entre elas e em profundidade mínima de 40 cm, enquanto que em vasos só é possível chegar até a fase de folhas baby.

Experimente e dê uma incrementada na sua hortinha. Além de comestíveis, as folhas muito saborosas e decorativas.
 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Bombeiros de Crocs


O telefone tocou na noite de sábado trazendo a notícia de que uma árvore do sítio (enorme, 40 anos de idade) estava pegando fogo. Foi o tempo de pegar alguns baldes e sair correndo, de Crocs e roupinha gostosa de ficar em casa, porque quando eu disse "vamos chamar os bombeiros", ouvi o que ainda não sabia: Holambra não tem corpo de bombeiros, então conta-se apenas com a própria torneira e a colaboração de quem estiver por perto e disposto a ajudar.

Trabalhamos por uma hora com pouca pressão na mangueira, enchendo baldes e arremessando água para o alto, e enquanto combatíamos o fogo ouvimos de alguns vizinhos pérolas do tipo "eu passei aqui e vi o fogo há meia hora atrás mas não tinha seu telefone para avisar".
Telefone para avisar??? Por que não buzinou no portão?

As muitas folhas secas do chão fizeram um fogaréu que queimou os primeiros metros da casca do tronco e alguns galhos mais baixos. Conseguimos apagar o grosso e os pequenos focos em pontas de galhos e forquilhas altas foram apagados pelo orvalho. Sorte.

E se você está se perguntando como o incêndio começou, eu conto: um funcionário piromaníaco recolheu folhas do chão, fez um montinho "isolado", colocou fogo, disse que esperou acabar de queimar e foi embora pra casa. Resultado:


Muita gente por aí tem mania de usar fogo para queimar lixo ou mesmo fazer "limpeza" em áreas tomadas por mato, por exemplo, mas está passando da hora de substituir essa cultura da queimada por atitudes mais sensatas. Em um mundo ideal, o material reciclável deve ir para a reciclagem, o orgânico para a compostagem e o que sobrar, para fornos de queima controlada, onde a fumaça que sai é filtrada para não poluir o ar e o calor é transformado em energia para abastecer lâmpadas, aquecedores e coisas do gênero.

Um ótimo exemplo de "quero ser assim quando eu crescer" é Boras, cidade na Suécia que joga fora apenas 1% do lixo que produz. Os resíduos gerados por seus 105.000 habitantes têm três destinos: 42% são incinerados e convertidos em energia elétrica, 30% são tratados biologicamente e transformados em combustível e 27% são levados para a reciclagem pela própria população, que se encarrega de separar e levar o material até os postos de coleta espalhados por toda a cidade. Apenas 1% do lixo que sobra é enterrado, porque o imposto para usar o aterro é muito alto.
Esse modelo de destinação do lixo foi iniciado em 1988 (pasme!), com 300 famílias, e é exportado pela universidade local, que presta assessoria de reaproveitamento de lixo para cidades no mundo inteiro, inclusive para as brasileiras Macaé, no Rio de Janeiro, e Sobral, no Ceará.
A experiência deu tão certo que atualmente o município importa detritos da Noruega para gerar mais energia limpa e no futuro tem planos de investir na eliminação total dos combustíveis fósseis (informações da Revista Veja - Especial Sustentabilidade, dez/2011).
Não é demais?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Cambuci, a lição

Meu primeiro contato com o cambuci aconteceu em 2010, quando ganhei alguns frutos e consegui fazer 98% das sementes germinarem. Se estivesse falando de pitanga, cuja semente germina até em rachadura de calçada, nenhuma novidade, mas o cambuci tem mil frescurites e fragilidades - detalhes que com certeza contribuíram para que a espécie entrasse na lista das árvores brasileiras ameaçadas de extinção. 

No ano seguinte, animadíssima com meus dedos verdes, postei aqui no blog um pedido de ajuda chamado Missão Cambuci. Era um convite para a empolgante missão de produzir o maior número de árvores da espécie. Quem quisesse participar poderia indicar a localização de pés de cambuci ou doar frutos, e a mim caberia o processo de beneficiamento das sementes, a germinação e o crescimento das mudas. Em troca, pés de cambuci ou outras espécies nativas frutíferas e ornamentais.

Hoje, assim como no ano passado, encerro as últimas semanas da segunda temporada de Missão Cambuci contabilizando um saldo mais do que positivo: muitas árvores, novos amigos, boas histórias pra contar e deliciosas surpresas.
De 2011 vieram a amizade e o carinho de Mari e Carmen, Vitor Lucato e da Rosana, e neste ano o círculo de amigos e colaboradores ainda cresceu, com Christian e Lucy, que doaram quilos e quilos de frutos podres e mais um tanto de maduros congelados para suco, os inestimáveis e animados Winfried, Cidinha e Daniel, que visitaram o viveiro e retribuiram me recebendo em casa com ótimo papo e lanchinho no fim da tarde, e o simpático casal Pathy e Ton, que me deixou sem palavras para agradecer. Depois de um dia puxado, de entrevistas de trabalho e muita chuva, os dois deixaram Ribeirão Pires às três da tarde e dirigiram por duas horas e meia para me trazer cambucis de cinco pés diferentes! Tivemos curtíssimas duas horas para nos conhecer e tomar um café com biscoistos e os dois já encararam a estrada novamente, para chegar em casa às dez da noite. E antes de ir deixaram aqui uma frase que ficou repetindo no meu ouvido: "pelo menos cumprimos nossa missão".

Pathy e Ton, as sementes foram extraídas dos frutos que vocês trouxeram,


foram misturadas com vermiculita para facilitar a semeadura,


esparramadas cuidadosamente sobre mesas de areia

 

e cobertas com terra, para manter a umidade. Também ganharam plaquinha com data, o nome de vocês e muita torcida.


Daqui a 60 dias teremos crianças despontando, com certeza.

E a sensação que fica é a de que essa interessante fruta ácida, de formato curioso e perfume tão gostoso, para mim se transformou numa lição. Reproduzi-la o máximo possível todos os anos jamais retribuirá todo o aprendizado e os momentos especiais que essa missão me proporcionou.
A todos os amigos e colaboradores que, junto comigo, curtem participar dessa brincadeira tão séria, um enorme OBRIGADA e até o ano que vem, no máximo!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sobre cambucis e borboletas


Estamos em plena época de doação de cambucis para extração de sementes. Os amigos feitos no ano passado, por causa da Missão Cambuci, quiseram participar de novo esse ano e, por obra deles, já tenho alguns baldes de frutos estragados, além de um bom tanto de cambucis maduros e polpa já prontinha para suco no congelador.
O trabalho de tirar as sementes dos frutos estragados tem sido longo e puxado (além de fedido!), mas ontem foi compensado pela visita da borboleta azul, que veio enfeitar o balde em troca de umas lambidinhas nos cambucis passados. Borboletas adoram comer matéria orgânica em decomposição, por isso ela nem se importou comigo trabalhando ali ao lado e passou bons minutos se deliciando a 20 centímetros de mim. Na maior parte do tempo ficou com as enormes asas fechadas mas, quando cheguei com a câmera, foi generosa e deu essa colherzinha de chá.
E se o cambuci onde ela pousou tem mais ou menos o volume de um ovo, imagine-a do tamanho da sua mão!