quarta-feira, 8 de junho de 2011

As deliciosas histórias da Missão Cambuci

Desde que conheci o cambuci, há pouco mais de um ano, comecei a tecer uma rede muito interessante de amigos. Alguns são pessoas preocupadas com ecologia e meio ambiente e outros nunca pararam por muito tempo pra pensar sobre isso mas tem toda boa vontade do mundo pra ajudar, sabendo ou não que se trata de algo importante.
Se antes já me empenhava em trocar mudas, sementes e experiências por aí, agora então faço questão de retribuir toda a ajuda que me deram na coleta de frutos dessa espécie ainda em risco de extinção, nem que tenha que revirar caçambas de lixo em busca de meus frutos podres jogados ali sem querer ou confinar pequenas árvores dentro de uma caixa de camisa e mandá-las por correio em viagem de 10 dias rumo a Porto Seguro.

Foram três meses de e-mails, conversas, pesquisas e bastante estrada atrás de qualquer quantidade de sementes que se pudesse conseguir. De algumas cidades voltei com um único fruto na mão. De outras, vieram quilos e quilos de cambuci em todos os estados de conservação que se possa imaginar, do mais saboroso e perfumado ao mais podre e fedido. E para fazer valer cada e-mail enviado e cada litro de gasolina gasto na empreitada, todos os frutos foram cuidadosamente despolpados e tiveram suas sementes selecionadas, processo trabalhoso que levou dias e dias até ser finalizado.
A boa notícia é que o número é grande: são 4.773 sementes viáveis sendo regadas diariamente e recebendo cuidados dignos de estrela. E vale lembrar que apenas cerca de 25% das sementes de um cambuci são viáveis, ou seja, tem possibilidade de germinar, então calcule o quanto de sementes conseguimos!
Por isso, para mostrar que quando cada um faz um pouquinho o resultado é incrível, a seguir conto as histórias de quem topou abraçar comigo essa causa.

Coletas secretas
No começo, quando éramos só eu e eu nessa aventura, passei algumas semanas monitorando os três únicos pés de cambuci adultos que conheço na cidade.
Um deles, na rua, tem a copa muito alta e nas primeiras visitas que fiz não encontrei nenhum fruto no chão. Era preciso continuar monitorando até que amadurecessem mais um pouco e começassem a cair. Só que, depois de duas semanas quando voltei ao pé, não sei via mais um único cambuci em lugar nenhum, no chão ou na copa. Algum coletor de sementes mais rápido do que eu deu cabo de tudo. Primeira decepção.
Outra árvore, pequena ainda e na rua também, tinha só dois frutos quando a visitei pela primeira vez, mas estavam ainda muito duros e não tive coragem de arrancá-los antes da hora. O cambuci, assim como o abacate, tem a casca verde mesmo quando está maduro, então só se sabe se está bom para colher apalpando a fruta. Nesse dia também fui embora de mãos abanando e, quando voltei lá, não encontrei mais nenhum. Segunda decepção.
Restava a terceira árvore, dentro de um parque municipal onde dizem que não se pode coletar nada. Já sabendo que é uma árvore das boas e que no ano passado produziu bastante, resolvi não correr riscos e a cada visita levar comigo alguém que me desse cobertura. As instruções para os acompanhantes eram:

1) Enquanto encho meu saquinho secreto (camuflado dentro de uma bolsa grande) fique de olho e me avise se vier alguém do parque.
2) Faça sempre cara de paisagem. Tem tudo a ver com o lugar.
3) Se alguém vier reclamar e dizer que não se pode pegar frutos, finja que não me conhece e eu me viro sozinha. Melhor só uma metida nisso.

Deu tudo certo e saímos incólumes (e abastecidas!) de todas as investidas, então ficam aqui meus sinceros agradecimentos às amigas que corajosamente me acompanharam em nome da preservação da espécie: Helô, Bia e Mari L.

Um ecólogo alto astral
Escalado pela minha mãe para ajudar na Missão Cambuci, o Vitor, ecólogo e professor mais sabido e divertido que eu conheço na área, aproveitou o dia de aulas que deu em um parque para coletar frutos num pé que conhecia. Logo chegou um e-mail: Ju, pode vir buscar, tem um tanto aqui pra você.
Passaram mais uns dias e recebi outro e-mail: Ju, tenho mais.
Mas antes de conseguir encontrá-lo veio mais uma mensagem, desta vez triste: Ju, minha tia velhinha viu aquele monte de frutos podres e, achando que era lixo, jogou tudo fora. Semana que vem tento mais uma coleta.
Sem comentários sobre a tia velhinha.
Sorte que dentro de mais alguns dias veio outro e-mail: Ju, mais. Estão ao lado da minha mesa em cima de um vaso com o seu nome. São de uma variedade pequena mas bastante doce. Estão meio podres, já, e os colegas de trabalho reclamando que está fedido, mas é história deles; eu não sinto nada. E já avisei que é proibido jogar fora! Se eu não estiver aqui quando você chegar, pode entrar e levar.

Vitor, muito muito obrigada. Conte comigo para o que precisar, e assim que as mudas estiverem grandinhas me diga quantas quer e te entrego sem pestanejar.

A dupla dinâmica
Sair do sítio da Mari e da Carmem sem a certeza de ter conhecido o significado da expressão “calor humano” é impossível. Na chegada já tem festa como se fôssemos amigas há anos, com beijo, abraço, sorriso, boas vindas da cachorrada, gato trançando nas pernas, cafezinho, biscoito, um monte de histórias divertidas e o almoço pronto esperando. Isso porque a ideia era coletar o que elas tem no quintal, mas parecia que quem estava fazendo o favor era eu.
Depois de duas visitas, muitas risadas e andanças pra conhecer o sítio, ganhei geléia de cambuci feita por elas e sementes já prontas para plantar, além dos frutos propriamente ditos. E mais folhas de flor de cera para fazer mudas, bulbos de dália, de clívia, mudinhas de suculenta, sementes de anis estrelado, de rambutan e um caroço de abacate. Só esses 10 itens porque recusei outros 23 que Mari ofereceu, tentando convencê-la de que agora quem precisa de um sítio sou eu!!!

Mari e Carmem, como agradecer tanto carinho?
Muito obrigada por tudo e são de vocês todas as mudas de cambuci que nascerem, me digam quantas querem.

Rosana, Henrique e os ouriços
De Mogi das Cruzes, no início de abril, chegou o e-mail da Rosana: Tenho um pé de cambuci a pleno vapor, separei um tantão de frutos para vc. A árvore frutifica de 3 a 4 vezes por ano. Entre em contato.
Era pra já! Em dois ou três dias combinamos tudo e, sorrindo de orelha a orelha, parti para Mogi das Cruzes, escala de uma viagem a São José dos Campos para ajudar a babar, quero dizer, cuidar do sobrinho recém nascido.
Fui recebida com pão de queijo quentinho e suco de cambuci feito na hora. Não é demais? Batemos um papinho de uma hora e segui viagem, já mais de nove da noite, levando na bagagem cambucis maduros e cheirosos (ô fruta de cheiro bom!), cambucis podres para extrair sementes e ainda polpa de cambuci congelada, pra fazer suco e mousse.
De presente levei mudinhas de árvores de três espécies, mas mesmo assim fiquei até meio sem graça com o tanto de coisas que ganhei, a quantidade de pães de queijo que comi e todo o suco de cambuci que bebi! Minha mãe tinha me dado mais educação...

Cheguei a São José dos campos para uma estada de quatro ou cinco dias e escolhi um canto da varanda onde deixar o saco de cambucis podres até o dia de ir embora. O cheiro de vinagre é forte, não dá pra ficar com aquilo por perto. Mas sem me esquecer da tia do Vitor, avisei a todos da casa que ali estavam minhas preciosas sementes, não era pra mexer no saco.
Passados os meus dias de tia babona de primeira viagem, me ajeitei para tomar a estrada de volta e, na hora de ir embora, cadê os cambucis?
Juro que por alguns minutos dei uma de maluca e andei em círculos olhando em volta e repetindo “cadê eles?, cadê eles?, cadê eles?”. Eram 4, 5, 6 quilos de frutos e tinham sumido! Logo caiu a ficha que alguém que foi ajudar na faxina da casa naquele dia não sabia do que se tratava e jogou tudo no lixo.
Não, lixo de novo não!
Corri para o interfone e o porteiro me disse: tá tudo aqui ainda, o lixeiro só passa mais tarde.
Num passe de mágica lá estava eu, protagonizando espetáculo na calçada do prédio, abrindo caçamba por caçamba, saco de lixo por saco de lixo atrás dos cambucis da Rosana.
O porteiro parou do meu lado e disse: já sei, você jogou seu celular no lixo! A moça do 72 também fez isso outro dia. Às “veiz” bate uma bobeira e a gente faz essas coisas, é normal.
Eu dei risada e resolvi explicar que não era o celular, era pior! Era um fruto em risco de extinção e eu tinha arrumado sementes pra plantar. E então ele me surpreendeu: Extinção? É sério? Ah, mas então nós vamos ter que achar isso!
Nesse momento Tomé virou meu herói. Tem amigo meu que não diria uma frase dessas.
E foi um tal de conhecer a intimidade dos apartamentos vizinhos até que... Maktub! Dentro do enésimo saco preto que abri estava a sacolinha do supermercado Maktub de Mogi das Cruzes, onde a Rosana faz compras. Maktub, em árabe, que dizer “estava escrito”. E estava mesmo. Aqueles cambucis eram meus e ninguém tascava!

Depois dessa experiência inesquecível ainda voltei mais uma vez a Mogi, recentemente, porque como tinha dito a Rosana, a árvore do sítio frutifica de 3 a 4 vezes por ano e ela tinha mais frutos pra mim. Dessa vez cheguei e a encontrei, junto com Henrique, em volta de uma banheira infantil de plástico, na calçada, tomando sol. Dentro da banheira dois ouriços, animais da savana africana. São criaturas acostumadas ao calor, e como os dias do fim de maio vinham sendo cada vez mais frios, era preciso esquentá-los um pouquinho.

Não, isto não é um cambuci! É o ouriço do Henrique, filho da Rosana

De novo ganhei lanchinho e, desta vez, suco multi frutas preparado pelo Henrique além de um tanto maior ainda de cambucis podres. Nunca vi alguém ficar tão feliz com um sacão de frutas estragadas!

Rosana, não tenho palavras para explicar para quem não te conhece o quanto você é delicada e simpática. Muito obrigada pela acolhida sempre tão carinhosa, pelos quilos de cambucis bons, “ruins”, pelas polpas congeladas, pães de queijo, bolo de cenoura...
E vamos plantar por aí mais dessa espécie pela qual nós duas temos tanto carinho. Me diga quantas mudas quer e elas são suas.

Depois de tudo isso veio a hora de despolpar os frutos. Eu e Flop, dono do Viveiro Oiti, em Holambra - SP, passamos horas e horas sentados em frente a uma peneira e uma torneira com a mão na massa, uma massaroca úmida e com forte cheiro de vinagre, separando a casca e a polpa das sementes.
A etapa seguinte foi passar as sementes pela peneira, lavando com um jato forte de água para tirar os restos de polpa, que continua a apodrecer sob a terra e pode por a perder todo o processo de germinação.

Então as sementes limpinhas foram postas para secar à sombra sobre folhas de jornal e depois selecionadas uma a uma, trabalho que consiste em separar as vazias das “gordinhas”, as chamadas sementes viáveis.

Depois disso as escolhidas foram colocadas em tubetes sob fina camada de terra, serão regadas diariamente e devem demorar cerca de 60 dias para mostrar as primeiras carinhas. Isso deve acontecer no final de julho.

Agora, só no ano que vem. O cambuci floresce entre novembro e dezembro e seus frutos amadurecem de março a maio, quando aliás acontece o Festival do Cambuci, em Paranapiacaba – SP, e a Rota do Cambuci, em um circuito de cidades do interior paulista. Nessas festas é possível provar quitutes preparados com essa fruta tão simpática quanto desconhecida – muitos paulistanos acham que Cambuci é apenas o nome de um bairro.

A Rota do Cambuci ainda não visitei, mas em Paranapiacaba este ano tomei suco, comi bolo de chocolate com cambuci (é d e l i c i o s o!), mousse, trufa recheada e ainda comprei umas garrafas de pinga da fruta para dar de presente. Ano que vem vou fazer tudo igual outra vez!

Abaixo, a plantação de que tenho tanto orgulho. Ainda não se vê nada, claro, mas dentro de cada tubete está uma das sementes dessa história. E tudo sendo cuidado com carinho pelas mãos profissionais do Flop, a quem, junto com a mamma, falta agradecer por todo o empenho e apoio nessa empreitada. Muito obrigada!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tulipas

Uma lembrança de presente inusitado que tenho da adolescência é dos buquês de tulipas que vinham direto da Holanda, entregues como brindes de uma companhia aérea. As flores chegavam geladinhas, recém saídas da câmara fria do avião, mantendo o frescor de recém colhidas.
No calor do Rio de Janeiro, onde eu morava, aquelas estrangeiras acostumadas ao frio duravam pouco, mas eram curtidas intensamente até sucumbirem ao calor.
Duas décadas depois temos tulipas adaptadas ao clima brasileiro, mas como apesar de nacionais elas ainda preferem um friozinho, deixam para mostrar suas flores quando nós, tropicais, começamos a tirar as blusas de lã do armário.
Então aproveite a onda de tulipas no mercado e leve pra casa um vaso desse show de charme. Uma dica é comprar as flores ainda em botão, já que depois que abrem não costumam durar muito. Assim você aproveita cada etapa do desenvolvimento da planta.

sábado, 28 de maio de 2011

Saladas com cambuci!

Recebi da amiga de uma amiga a indicação de um programa interessante para o Dia do Meio Ambiente, o próximo 10 de junho. O evento se chama "Saladas com fruta nativa - inovando com cambuci". Acontece na lanchonete do SESC Santo André, em São Paulo, na sexta-feira dia 10 de junho às 18 horas. E é grátis.
Para saber mais leia texto abaixo, copiado do site do SESC, ou acesse o link
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=196208

O cambuci, fruta de sabor agridoce originária da Mata Atlântica, tem um valor especial na região abrangida pelas cidades de Santo André, Rio Grande da Serra, Paraibúna, Salesópolis e Ilha Bela, as quais desenvolvem atividades econômicas baseadas neste artigo nativo. Eventos como a Rota do Cambuci fortalecem comércio, geração e renda, turismo e gastronomia, além de estimular a sustentabilidade na produção, distribuição e consumo do alimento. Assim, pretende-se apresentar o cambuci no SESC Santo André como elemento inovador e de destaque em saladas na mesa do comerciário.
Grátis, na lanchonete, no dia 10/6, sexta, às 18h.

Muito obrigada, Elizabeth!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Notícias

Ando às voltas com trabalho e um tanto de frutos que ganhei de novos amigos trazidos pela Missão Cambuci. Vou extrair as sementes antes que percam o poder de germinação e logo logo volto, para contar o saldo da campanha contra o desaparecimento dessa espécie nativa tão simpática.
Até dentro de caçamba de lixo me enfiei pela causa. Não perca os próximos capítulos!

terça-feira, 1 de março de 2011

Cambuci, a missão

Logo na primeira vez que ouvi dizer que o cambuci é espécie ameaçada de extinção senti por ele uma afeição instantânea. Foi em fevereiro de 2010, durante um curso sobre sementes na UMAPAZ.
Nunca tinha visto um fruto mais gordo na minha frente nem tampouco bebido o suco, tomado o sorvete ou experimentado a pinga de cambuci, mas saber da ameaça despertou em mim a urgência de fazer alguma coisa.
Desde então virei uma obcecada! Você pode achar engraçado o exagero (e eu também acho!), mas é verdade. Ando que só falo nisso!

Ainda no início do ano passado ganhei cerca de 5 quilos do fruto podre - colhidos ao pé da árvore às vésperas de irem para o lixo - e resolvi encarar a missão de fazer as sementes germinarem. Não é uma espécie fácil, não produz muitas sementes nem germina em qualquer condição, mas estudei um pouco a respeito das exigências e me propus o desafio.
Foram horas despolpando frutos estragados cheirando a vinagre (e eu detesto vinagre!), mais horas escolhendo as sementes mais promissoras e mais meses regando diariamente uma bandeja de terra sem a certeza de que dali viria alguma vida, mas um dia um brotinho apareceu trazendo a boa nova: deu certo! (leia aqui o post da época)

Depois desse primeiro vieram centenas de brotos, e cada um deles fez crescer em mim a sensação de estar, realmente, fazendo a minha parte. É indescritível!
Como infelizmente não tenho espaço para criar centenas de árvores, fiquei com alguns poucos e doei o resto para um viveiro amigo, com quem faço trabalhos voluntários de vez em quando, e tenho sempre notícias deles, meus filhotes cambucis.

Mas chegou de novo a época de frutificação do cambucizeiro (meados de fevereiro e março), e minha obsessão adormecida acordou! Por que não fazer tudo de novo?
Conversei com gente conhecida, pesquisei na internet, mandei e-mails, dei telefonemas e já consegui alguns frutos, mas ainda é pouco.
E foi então que veio a Mamma, criativa minha mãe, com uma ideia: por que não pedir ajuda no blog?

Pois estou aqui, prezado leitor, convidando você a participar comigo dessa empreitada. Topa me ajudar na missão de produzir o maior número possível de árvores de cambuci?
A espécie ocorre naturalmente apenas nos estados de São Paulo e Minas Gerais, na parte da serra do mar que dá para o planalto paulista e no início do planalto em direção ao interior, na mata pluvial Atlântica.
A região já não é muito extensa, e pra piorar a árvore não é muito frequente mesmo no seu habitat natural, então...

Mas não desanime! Se você tem vontade de ajudar, o primeiro passo é conversar com parentes, vizinhos, amigos e os conhecidos que tem sítio no interior ou casas antigas na cidade. Algumas décadas atrás a fruta foi bastante cultivada em pomares domésticos, então aquela velhinha simpática que mora na sua rua pode ter um pé de cambuci no quintal. Ou a irmã dela, ou uma amiga...
E a proposta é a seguinte: você me manda um tanto de frutos (maduros e até mesmo podres) ou me dá dicas de onde encontrar um cambucizeiro, eu cuido de todo o processo de beneficiamento das sementes, germinação e acompanhamento dos primeiros 6 meses (é uma árvore leeeenta pra crescer) e em retribuição te dou uma porcentagem (3%?) das mudas que nasceram das sementes que você conseguiu. O resto das mudas será encaminhado ao viveiro amigo, a projetos de reflorestamento e plantado em praças, parques e vias públicas de São Paulo, como já era o plano para os germinados no ano passado.

Quanto mais gente participar maiores as chances de um resultado incrível, porque além da quantidade, um outro fator importante é a variedade genética. Um reflorestamento de qualidade é feito com árvores de diferentes características genéticas mesmo se tratando de uma mesma espécie, neste caso o cambuci. Quanto mais fontes de sementes, melhor. Porque cada uma delas traz no seu DNA traços específicos, "qualidades" e "defeitos", e se todos os exemplares plantados no estado, por exemplo, forem filhos de uma mesma matriz, a variedade genética, característica importantíssima para a preservação da espécie, será pobre.

Aliás, para incrementar ainda mais essa questão da variedade de DNAs por aí, a ideia é te mandar de volta mudas de origem diferente das sementes que você doou, assim o resultado será ainda mais embaralhado.

E então, quem se anima?
Deixe um comentário, seu telefone ou endereço de e-mail e vamos logo começar com isso!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mais uma oportunidade

Se você não conseguiu participar da oficina "Daninhas para quem? Ervas espontâneas e hortaliças negligenciadas" no sábado passado, tem mais uma oportunidade.
A aula acontece mais uma vez amanhã, dia 26 de fevereiro.
E dessa vez recomendo com a empolgação de quem foi e adorou.
Sebastião Wilson Tivelli é danado de bom. Didático, simpático e ótimo contador de histórias, o professor mostra na aula uma coleção de vasinhos com ervas e hortaliças variadas enquanto explica as características de cada uma.
Além disso você tem a oportunidade de experimentar Maria-gorda, Maria-pretinha e Cubiu entre outras ervas espontâneas comestíveis cultivadas por ele. E no final da aula ainda leva pra casa mudinhas de Alface-bariri, uma variedade diferente produzida pelo pessoal do Instituto Agronômico de Campinas.
É amanhã no mesmo horário e local, veja aqui.
Você nunca mais vai olhar o mato da calçada com os mesmos olhos. Não perca!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Daninha para quem?

Acredite se quiser, existem ervas a venda em feiras livres na Europa que nascem espontaneamente aqui no Brasil, em frestas de cimento no chão, e são consideradas "ervas daninhas" por nós. É o caso do Dente de Leão (Taraxacum officinale), por exemplo, aquele "matinho" do pompom branco bonito de ver desmanchar no ar com um bom assoprão.
A gente ignora, pisa e pede pro jardineiro arrancar, sem imaginar que tem gente que paga por ela pra comer na salada ou se beneficiar com suas funções terapêuticas no tratamento de dores reumáticas, diabetes, prisão de ventre e afecções da pele.

Pois é para ensinar conhecimentos como esse que o Sesc Vila Mariana, em São Paulo, abriu a oficina "Daninhas para quem? Ervas espontâneas e hortaliças negligenciadas" no dia 19 de fevereiro, o próximo sábado, das 14:30 às 17:30.
Na oficina serão abordadas as características e possibilidades de cultivo de espécies de plantas chamadas vulgarmente de ervas daninhas.
Orientação de Sebastião Wilson Tivelli, engenheiro agrônomo com doutorado em Horticultura pela Faculdade de Ciências Agronômicas.
Para interessados maiores de 14 anos. Inscrições na Central de Atendimento.

Do preço, pode-se dizer que mais uma vez é simbólico, pra você não ter desculpa para não participar:

R$ 3,00 para trabalhadores no comércio de bens e serviços matriculados no Sesc
R$ 6,00 para usuários do Sesc e dependentes, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública
R$ 12,00 para você que infelizmente não se enquadra nas categorias acima

Para maiores informações...
Sesc Vila Mariana
Rua Pelotas 141 - Vila Mariana
(11) 5080-3000
email@vilamariana.sescsp.org.br

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Geração espontânea

Toda a chuva do mês de janeiro acordou as sementes esparramadas por aí, aquelas que a gente nem sabe onde estão, que se desprenderam da planta e voaram pelo quintal, indo parar sabe-se lá onde...
E de repente, inchadas pela água, elas começaram a germinar.
Tem de tudo nascendo aqui no jardim, cada frestinha e rachadura de cimento tem uma planta, uma florzinha, um musgo...
E como no ano passado andei deixando diversas hortaliças darem flores e sementes (lembra desse post?), além dos matinhos espontâneos tenho pés de alface roxo e verde nascendo pra todos os lados, no meio da sujeira, entre o fundo de vasos e o piso.
Eu não mexi uma palha; eles bebem chuva, comem restos de terra, sujeira e poluição e aí estão, saudáveis e rechonchudos.
Minha horta no chão!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Olhos de lince

O Pau-marfim do Parque Ibirapuera está frutificando outra vez e lá fui eu pra debaixo dele procurar aquelas lindas criaturas, minhas sementes preferidas.
Mas afinal, são frutos ou sementes?

Verdade verdadeira? São frutos.
Explico:
Sem entrar muito a fundo em definições biológicas, o fruto é basicamente o desenvolvimento do ovário (órgão reprodutivo feminino) da flor e pode ser fértil (quando contém sementes viáveis) ou estéril (sem sementes ou com sementes atrofiadas).
Então, se qualquer vegetal (planta rasteira, arbusto ou árvore) der uma flor e depois de um tempo naquele mesmo lugar crescer algo, aquilo é um fruto.

Pode não ter cara de fruta, que é o nome que convencionou-se usar para os frutos comestíveis, mas é fruto e fim de papo.
E mesmo não sendo chamados de frutas, existem muitos frutos que comemos sem nunca ter parado pra pensar que tipo de coisa eles são. Vagem, por exemplo, é fruto. Pepino é fruto. Pimentão, abóbora e abobrinha são frutos.

E finalmente voltando ao Pau-marfim (Balfourodendron riedelianum), as lindas borboletas de quatro asas das quais já falei aqui não são comestíveis mas também são frutos. E dentro de cada um dos frutos tem uma semente praticamente inseparável da embalagem, então a gente põe pra germinar o fruto inteiro mesmo.
Pra economizar espaço na sementeira, o máximo que dá pra fazer é cortar as asinhas. Abrir mesmo é impossível.

E por falar em impossível, como são verdes mesmo quando estão maduros, se caem na terra é fácil encontrá-los:


Mas quando se disfarçam em meio à grama...

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Show

As orquídeas do mês aqui na verde casa:

Brassia Eternal Wind "Summer Dream" x Brassia Rex

Laeliocattleya Extasy Orchidglade semi alba

Miltonia sp


Miltonia moreliana "Colibri"